segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Certificados estão abaixo de 1%

«A taxa de juro nos certificados de aforro atingiu novo mínimo histórico. Em Agosto, os certificados da série C, a única que pode ser subscrita, ofereciam uma rendibilidade de 0,959%. É a primeira vez que o rendimento deste instrumento de poupança fica abaixo do 1 por cento.»

Fonte: Correio da Manhã de 13Set2009

domingo, 13 de setembro de 2009

Caminharei na presença do Senhor - canto em Cangamba

A igreja de Cangamba foi inaugurada em 1964 ou 1965. Levantou-se rapidamente, ao lado da avenida antiga de eucaliptos. Veio a guerra russo-cubana e a destruição da airosa vila mas... a semente da religião ficou com os sobreviventes.

Eis aqui um hino ao Senhor à maneira tão bela dos coros gentílicos dos kalutchazes. E a procissão percorre a linda e histórica avenida de eucaliptos...
Rui Moio



Ao fundo, por detrás do Padre de batina branca, vê-se terra vermelha e mato rasteiro e amarelo, talvez pronúncio de se estar na estação seca; o vetusto e majestático palácio do administrador desaparecera, fôra completamente destruído na batalha de Cangamba de 1983.
Pela observação das sombras constata-se que a procissão decorreu de tarde, pois o Sol está a ocidente, para as bandas da nascente do Cubanguí e do mar longínquo.
Rui Moio

Igreja da Cangamba, na sua planta original
Ao lado da torre sineira existiam campas portuguesas muito antigas e deterioradas, provavelmente, de portugueses que ali morreram ao tempo da Capitania-Mór dos Lutchazes.
Rui Moio

Igreja de Cangamba reconstruida - agora com telhado de zinco.
Rui Moio

Fonte: imagens obtidas na net

Bússola

via Escrita em Dia de CN em 20/08/09


Experimentem. É giro participar. Cliquem neste link.



Só não sei se os termos de comparação entre as nossas respostas e as dos vários partidos políticos serão completamente fiáveis. Segundo creio, os promotores desta "bússola eleitoral" basearam-se nos programas partidários para extraírem as respostas dos respectivos partidos às questões colocadas. E são essas "respostas" que, depois, são comparadas com as nossas. Como a coisa não passou por entrevistas directas com dirigentes partidários, temo que algum termo de comparação não seja completamente fiável. Mas não é por isso que esta "bússola" deixa de ter graça. Até porque a piada está na eventual discrepância entre o resultado da "bússola" e a nossa real intenção de voto. A mim, por exemplo, deu-me como "próximo do PS".

Tabella

via Aerograma de Afonso Loureiro em 12/09/09
Numa das esquinas da Igreja do Carmo há uma velha porta de ferro fundido que sempre me intrigou. Passava lá sempre de carro e não conseguia perceber o que tinha escrito.
A curiosidade venceu-me e, um dia, fui de propósito até lá. Assim que percebi o que era, voltei a casa para ir buscar a máquina fotográfica. Pérolas destas são raras e aparecem nos locais mais insuspeitos.
Trata-se de uma tabela dos toques de incêndio que relaciona o número de badaladas com as várias áreas da Luanda de tempos longínquos. Pelo número de locais importantes referido e a sua relativa proximidade, fazemos uma imagem mental de uma cidade muito mais pequena que a actual.
Suspeito que houvesse mais dez placas iguais a esta, mas não faço ideia quantas terão resistido até hoje.
Antiga tabela dos toques de incêndio
Tabela de toques de incêndio
Como o texto custa um pouco a ler, transcrevo-o.
TABELLA
DOS TOQUES DE INCÊNDIO
5 IGREJA DO CORPO SANTO
6 IGREJA DOS REMEDIOS
7 MUTAMBA
8 MERCADO
9 FORTALEZA DE S MIGUEL
10 OBSERVATORIO
11 IGREJA DA MIZERICORDIA
12 HOSPITAL MILITAR
13 ABEGOARIA
14 IGREJA DO CARMO
15 IGREJA DA NAZARE
PARA PARAR 3 BADALADAS
Luanda não deixa de me surpreender. A cada canto se tropeça num pedaço de História.

sábado, 12 de setembro de 2009

15 ANOS DO FIM DO APARTHEID

via DIÁRIO DA ÁFRICA de Diário da África em 01/09/09
ograma Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, sobre os 15 anos do fim do apartheid.




















AS DUNAS DE SOSSUSVLEI

Aqui estão as maiores dunas do mundo. Coisa linda!... Um património da natureza!...
Rui Moio

via DIÁRIO DA ÁFRICA de Diário da África em 02/09/09
Como nunca estive no Saara, não tenho como comparar.
Mas ousaria dizer que Sossusvlei é mais do que um deserto.
É uma experiência.

A visão de qualquer uma das dunas protegidas dentro do Parque Nacional é algo de impactante.
O melhor horário para se chegar lá, é claro, é antes de o sol nascer.
Só assim será possível ver a sombra que o raiar do dia lança sobre as dunas.
Com sol alto, fica tudo da mesma cor, sem contraste, sem contorno.

De longe, parece uma serpente do deserto que avança sobre a montanha.
As dunas são montanhas de areia.
A foto não mostra, mas de perto é possível ver uma fina camada de areia que passa de um lado para o outro, dependendo da direção em que sopra o vento.

Os grãos de areia são lançados para um lado pela manhã.
À tarde, quando o vento muda de direção, os grãos retornam para o lado em que estavam mais cedo.
Uma duna nunca é a mesma.
Essas de Sossusvlei não mudam de lugar por causa dessa mudança de direção do vento.
Mas mudam ligeiramente de formato.
Se o vento estiver mais forte, é possível ver a velocidade com que as pegadas deixadas na areia são apagadas.

Uma duna é uma montanha de areia pronta a ser escalada.
E todo mundo escala.
O contraste do céu azul com a areia meio cor de ferrugem lança dúvidas sobre a veracidade da foto.
Terá sido manipulada num photoshop?
Pois não.
As cores são essas mesmas.

E todos parecem caminhar sobre as costas da serpente de areia.
Algumas dunas chegam aos 200, 300 metros.
A sensação é a de quem caminha no fio da navalha.
O ponto em que as areias passam de um lado para o outro lembra uma lâmina.
É preciso equilíbrio para avançar.

O esforço é recompensado por uma breve pausa para admirar um oceano de grãos de areia.
Também há vida por ali.
Camuflada no próprio deserto.


Os mais ousados descem por caminhos menos tradicionais.


Abaixo das dunas, Deadvlei.
Árvores secas centenárias
Rodeadas de areia.
Um dia estarão petrificadas.

Sossusvlei é o coração do deserto do Namibe.
Com alguma sorte, é possível avistar alguns antílopes na região, como o Orix.
Desta vez não conseguimos.
Mas vimos um outro visitante solitário.

Diogo Cam

via Aerograma de Afonso Loureiro em 11/09/09
Coisa curiosa, a maneira como a História é encarada em Angola, especialmente no que toca às referências a Portugal.
A seguir à independência, as estátuas do colono foram retiradas de Luanda. Os símbolos na nova nação não se queriam os mesmos, até porque as referências culturais almejadas eram outras.
As estátuas que foram deixando os pedestais desocupados passaram a conversar umas com as outras em frente à Fortaleza de São Miguel, depois de passearem por um ou outro sítio. A dos Combatentes da Grande Guerra sofreu um destino mais trágico, envolvida em plástico cor-de-rosa e dinamitada para dar lugar a um blindado descomissionado, um monumento à guerra ou ao material militar russo, não sei bem.
Mas em Angola também se travaram batalhas na Primeira Guerra Mundial. Apesar dos massacres nas Ardenas ocuparem a imaginação de todas, a guerra estendeu-se ao Médio Oriente, onde combateu T.E. Lawrence, outra figura mítica, mais conhecido por Lawrence da Arábia, e até mesmo à fronteira de Angola com a Namíbia, na altura uma colónia alemã. Os Combatentes da Grande Guerra não se referem apenas a ideais da metrópole longínqua, mas também a um pedaço de História que decorreu em território angolano.
A estátua de Diogo Cão, o primeiro Português a chegar a Angola, também foi removida, mas o seu pedestal foi deixado intocado. As datas, as quinas do escudo, as coroas e os nomes ficaram lá. A estátua foi desmontada e as várias fatias deixadas junto dos velhos aviões da guerra colonial.
Diogo Cão às fatias
Diogo Cão
Há uns meses, a Praça 4 de Fevereiro, entalada entre o Hotel Presidente, o Palácio de Vidro, o edifício principal do Porto de Luanda e as obras da baía, foi arranjada e limpa. Os lancis foram pintados de preto e branco ou com as cores nacionais, os coqueiros moribundos foram trocados por uns ainda saudáveis e, coisa estranha, o pedestal da estátua retirada em 1975 foi todo recuperado. Antes parecia um velho pedestal abandonado. Agora parece incompleto.
Pedestal da estátua de Diogo Cão
Só falta a estátua
Se encontrarem as peças todas, não falta muito para haver outra vez um monumento a uma figura importante da História de Angola.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

SODADE DE CABO VERDE

Oscar Wilde

Enviado para você por Moio através do Google Reader:

via Livro di Téra de BMF em 11/09/09

Entrevistas – Comunidade Caboverdeana em Portugal

Você disse que os cabo-verdianos têm uma pátria de 4033 quilómetros quadrados repartidos por 10 ilhas porque ainda não leu Sodade de Cabo Verde, de Gabriel Raimundo. Quando ler, além de gostar, vai concordar com a Marzia Grassi, que pensa que o território do cabo-verdiano é o mundo, mundo que ele leva enrolado debaixo do braço e que estende ao sabor de um abraço e das viagens que faz na própria emigração.
… um livro de vozes e ecos, de sonhos e saudades, de engenho e luta, da incrível capacidade de contornar obstáculos, relançar o jogo, ganhar sem vencer, e estender a mão para chegar mais longe. Ao lê-lo ia ouvindo ecos e vozes de muitas partes do Mundo, vendo milhares de olhares concentrados nas ilhas e adivinhando esse palpitar único do coração que só de querer o bem grande bem faz à Terra-Mãe.
São mulheres e homens de várias idades, de todas as ilhas e mais algumas, advogados, arquitectos, condutoras e condutores de autocarros, deputadas e deputados, desempregados e domésticas, desportistas, dirigentes associativos, empregados de indústria e de serviços, empresários, enfermeiros, engenheiros, escultores, farmacêuticos, gestores, ilusionistas, investigadores, jornalistas, juízes, médicos, músicos, pedreiros, pilotos aviadores, pintores, polícias, professores da educação infantil ao ensino universitário , sacerdotes, todos partilhando o comum sentimento de pertencerem àquela terrinha e a esperança de um dia a ela voltarem.

Corsino Tolentino

Autor: Gabriel Raimundo
Editor: Autor
Ano de edição: 2008

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