 Arquivo SIC | Publicação: 14-11-2007 08:24 | Última actualização: 14-11-2007 15:06
Luta contra a diabetes Governo anuncia comparticipação a 100% de duas terapiasHoje é Dia Mundial da Diabetes e há boas notícias para os doentes. A partir de Janeiro, o Governo vai comparticipar a 100% duas terapias: a insulina de acção lenta e a terapêutica com bombas infusoras, uma medida que vai beneficiar entre 20 a 30 mil doentes nos próximos anos.
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PLAYRicardo é doente desde os 16 meses PLAYGoverno comparticipa terapias | O Estado vai comparticipar a 100% as bombas de insulina e um outro tipo de medicamento também de consumo lento. A bomba custa cerca de 3500 euros, um preço que a deixava fora do alcance de muitos diabéticos.
A comparticipação da bomba de insulina pelo Estado é uma batalha antiga de diabéticos e associações ligadas à doença. Portugal era o único país da Europa que não tinha qualquer apoio para esta terapêutica.
| O que é a diabetes? | | A diabetes é uma doença crónica que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar (glicose) no sangue e pela incapacidade do organismo em transformar toda a glicose proveniente dos alimentos. À quantidade de glicose no sangue chama-se glicemia e quando esta aumenta diz-se que o doente está com hiperglicemia. Em Portugal, calcula-se que existam entre 400 a 500 mil pessoas com Diabetes. | | Que tipos de diabetes existem? | | Diabetes Tipo 2 (Diabetes Não Insulino-Dependente) - É a mais frequente. O pâncreas produz insulina, mas as células do organismo oferecem resistência à acção da insulina. O pâncreas é obrigado a trabalhar cada vez mais, até que a insulina produzida se torna insuficiente e o organismo tem cada vez mais dificuldade em absorver o açúcar proveniente dos alimentos.
Este tipo de diabetes aparece normalmente na idade adulta e o seu tratamento, na maioria dos casos, consiste na adopção de uma dieta alimentar, de maneira a normalizar os níveis de açúcar no sangue. Recomenda-se também a actividade física regular.
Diabetes Tipo 1 (Diabetes Insulino-Dependente) - É mais rara. O pâncreas produz insulina em quantidade insuficiente ou em qualidade deficiente ou ambas as situações. Como resultado, as células do organismo não conseguem absorver, do sangue, o açúcar necessário, ainda que o seu nível se mantenha elevado e seja expelido para a urina.
Contrariamente à diabetes tipo 2, a diabetes tipo 1 aparece com maior frequência nas crianças e nos jovens, podendo também aparecer em adultos e até em idosos.
Não está directamente relacionada, como no caso da diabetes tipo 2, com hábitos de vida ou de alimentação errados, mas sim com a manifesta falta de insulina.
Os doentes necessitam de uma terapêutica com insulina para toda a vida, porque o pâncreas deixa de a produzir, devendo ser acompanhados em permanência pelo médico.
Diabetes Gestacional - Surge durante a gravidez e desaparece, habitualmente, quando concluído o período de gestação. No entanto, é fundamental que as grávidas diabéticas tomem medidas de precaução para evitar que a diabetes do tipo 2 se instale mais tarde no seu organismo.
A diabetes gestacional requer muita atenção, sendo fundamental que, depois de detectada a hiperglicemia, seja corrigida com a adopção duma dieta apropriada. | | Quais são os sintomas? | | Nos adultos - A diabetes é, geralmente, do tipo 2 e manifesta-se através dos seguintes sintomas:
Urinar em grande quantidade e muitas mais vezes, especialmente durante a noite (poliúria); Sede constante e intensa (polidipsia); Fome constante e difícil de saciar (polifagia); Fadiga; Comichão (prurido) no corpo, designadamente nos órgãos genitais; Visão turva.
Nas crianças e jovens - A diabetes é quase sempre do tipo 1 e aparece de maneira súbita, sendo os sintomas muito nítidos. Entre eles encontram-se: Urinar muito, podendo voltar a urinar na cama; Ter muita sede; Emagrecer rapidamente; Grande fadiga, associada a dores musculares intensas; Comer muito sem nada aproveitar; Dores de cabeça, náuseas e vómitos. | | Como prevenir a diabetes? | | Controlo rigoroso da glicemia, da tensão arterial e dos lípidos; Vigilância dos órgãos mais sensíveis, como a retina, rim, coração, nervos periféricos, entre outros; Bons hábitos alimentares; Prática de exercício físico; Não fumar; Cuidar da higiene e vigilância dos pés. | | Fonte: Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal
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Nota Pessoal
Creio que se devia já iniciar uma luta forte por parte da medicina do trabalho para que fossem reconhecidos os trabalhadores diabéticos. Se o Estado e as entidades patronais atendessem às características dos doentes diabéticos, os trabalhadores veriam prolongar as inevitáveis consequências da doença, nomeadamente, as relativas à deterioração das coronárias. Todos nós sabemos o quanto são prejudiciais para os diabéticos os trabalhos sob pressão, os maus ambientes interelacionais, a alimentação inadequada nos restaurantes e cantinas. Para os diabéticos, o stress mata, meus senhores, e, em poucos anos!...
Rui Moio
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