sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

CENTENÁRIO DO REGICÍDIO

via Da Literatura by Eduardo Pitta on 2/1/08

Faz hoje cem anos o rei D. Carlos e o seu primogénito, o príncipe Luís Filipe, foram abatidos a tiro na esquina do Terreiro do Paço com a rua do Arsenal. O regicídio não provocou a queda imediata da monarquia, que sobreviveu até Outubro de 1910. Com certeza que data é importante, qualquer que seja o ângulo de visão. A melhor maneira de a celebrar é tentar compreender quem foi, de facto, esse monarca reformista. A melhor maneira de o fazer é lendo a biografia que Rui Ramos escreveu, uma biografia que, e passo a citar Vasco Pulido Valente, «não é só uma biografia, é a história de uma época ou, mais precisamente, da decadência e queda do regime monárquico. Há muito tempo que não se escrevia nada de comparável. Céptico, penetrante, minucioso, D. Carlos diz mais sobre o país pobre a patético que somos do que toda a “análise política” por aí à venda.» Nem mais. A obra está nas livrarias, disponível em duas edições, a do Círculo de Leitores, em capa dura (na livraria do grupo e nas da rede Bertrand), e a da Temas e Debates. As 512 páginas de texto incluem vários anexos, uma cronologia detalhada, genealogias dos reis de Portugal (a da IV Dinastia inclui as ramificações até à actualidade), fontes, bibliografia e um utilíssimo índice remissivo. Também há portfolio fotográfico. O indispensável ponto de partida para um debate sério. De preferência sem charanga.

São cada vez mais as pessoas que enfrentam riscos psicossociais no trabalho - Alerta vem do Observatório Europeu dos Riscos


«Os ambientes de trabalho estão a atravessar mudanças significativas devido à aplicação de novas tecnologias, materiais e processos de trabalho. As alterações ao nível da concepção, organização e gestão do trabalho podem criar novas áreas de risco susceptíveis de gerar um maior nível de stress e, em última análise, originar uma grave deterioração da saúde mental e física. Segundo um novo relatório da Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, os principais riscos psicossociais estão relacionados com novas formas de contratos de trabalho, insegurança no emprego, intensificação do trabalho, exigências emocionais elevadas, violência no trabalho e difícil conciliação entre a vida profissional e a vida privada.»



Fonte: CienciaHoje de 31Jan2008

Agora pode ler-se nos olhos dos mortos a data do nascimento


«Investigadores na Dinamarca desenvolveram um método que permite apurar, através da análise da lente do olho, a data de nascimento de uma pessoa, revela um estudo hoje publicado pela revista científica PLoS ONE.»

A descoberta - da autoria de investigadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca - poderá ajudar os cientistas forenses a determinar a data de nascimento de um corpo não identificado e ter outros desenvolvimentos no campo das Ciências da Saúde.


Fonte: CienciaHoje de 31Jan2008

PT ultrapassa atendimento da Vodafone

A empresa adoptou três programas internos FOTO LUÍS FAUSTINO

«Os «call centers» do grupo Portugal Telecom estão a ser reinventados. Um sinal de que o futuro CEO já está a provocar mudanças

Um vendedor por natureza é uma das definições atribuídas no mercado das telecomunicações a Zeinal Bava, actual vice-presidente e futuro presidente executivo (CEO) do grupo PT. Os reflexos da revolução que o gestor está a provocar nos serviços de atendimento já se fazem notar. De alto a baixo, tudo está a ser repensado e as consequências são visíveis: a PT ultrapassou a Vodafone na percepção dos clientes.
A empresa de consultadoria e estudos de mercados Q Metrics realizou um inquérito sobre a satisfação do cliente e concluiu que, tendo em conta indicadores como qualidade de serviço, preço, oferta e imagem, a PT ultrapassara a Vodafone no fim do primeiro semestre de 2007.
No âmbito desta revolução, foram criados três programas internos, considerados fundamentais para que o objectivo de aumentar a eficácia, humanizando as relações, seja cumprido.
O primeiro foi lançado a 17 de Janeiro, recebeu o nome de ‘Eu Resolvo!’ e traduz-se num compromisso de todos os colaboradores do grupo com os clientes. Assim, a partir de agora, familiares e amigos de qualquer trabalhador da PT terão neste conhecido um interlocutor a quem caberá solucionar qualquer questão que lhe seja colocada. Uma espécie de ‘canal privilegiado e exclusivo’ para resolver avarias, instalação de equipamentos, mudanças de tarifários ou qualquer outro problema. A meta é que seja possível resolver a questão num máximo de 48 horas.
O outro programa foi chamado ‘Cliente em Linha’ e disponibiliza permanentemente e em tempo real, através da Intranet, dados sobre os serviços de atendimento aos funcionários do grupo. O comportamento do atendimento telefónico pode assim ser aferido por todos os colaboradores, que, desta forma, segundo fonte oficial da PT, “são co-responsabilizados pelos resultados alcançados”. Desde este mês que as cerca de 200 mil chamadas diárias recebidas pelos vários serviços do grupo podem ser acompanhadas por todos os funcionários, através de uma aplicação desenvolvida pela PT-SI. Há que considerar ainda que o grupo recebe diariamente cerca de 850 cartas e mil mensagens de correio electrónico.
O último projecto foi intitulado ‘Perto do Cliente’ e pretende promover o contacto directo de todos os colaboradores com os consumidores. Desta forma, os quadros das primeira e segunda linhas serão chamados a prestar serviço de atendimento nos «call-center», nas lojas, e fazer vendas porta a porta. Após uma manhã de formação, serão acompanhados por um ‘anjo’ (funcionário com experiência na área em causa) e terão de dar a cara aos clientes. Já realizado na TMN e na Vivo, o programa será alargado à PT Comunicações dentro de duas semanas.
Paralelamente está a ser desenvolvido o projecto ‘Qualidade do Atendimento’, que visa colocar em debate a humanização das relações nos serviços de atendimento. A primeira conferência ficou a cargo de Fernando Nobre da Assistência Médica Internacional (AMI), que falou da importância da experiência emocional. A segunda terá como convidado o alpinista João Garcia e Jorge Morgado, da associação de defesa do consumidor Deco, para falar da gestão das reclamações e como vencer obstáculos. Após estas sessões, há um encontro para desenhar um plano de acção, de forma a concretizar os discursos.
C.M.»

Fonte: Jornal Expresso nº. 1839 de 26Jan2008

Nota Pessoal
Eu sou da Vodafone mas vou já mudar-me para a PT!...
Rui Moio

D.CARLOS, 1º centenário do regicídio - 2008



Nota pessoal
Passaram-se 100 anos. Um pequeno grupo matou o rei e foi o começo do fim da monarquia. Seguiram-se anos de desordem e de miséria até que veio o Estado Novo dar dignidade à Pátria. Glorificou-se a Nação e fez-se obra. Setenta anos depois, Portugal, o verdadeiro Portugal, o Portugal de sempre morria!...
E os que o mataram desculpam-se com chavões do tipo: não havia alternativa, iamos assistir a um estrondoso colapso na Guiné, Portugal estava isolado no mundo, Portugal não tinha razão em querer continuar e fortificar-se como nação africana, as províncias ultramarinas eram colónias, a guerra do Ultramar era uma guerra injusta...
Em 1989 caía o muro de Berlim. Imaginem onde estaríamos se tivéssemos aguentado a guerra por mais uns anitos. E isto não seria de todo impossível! Em todos os teatros de operações a guerra estava a africanizar-se; mais de 60% dos efectivos das forças armadas e de segurança eram constituidos por naturais das províncias ultramarinas e um número muito significativo destes efectivos pertenciam às excelentes e motivadas forças especiais de combate.
É urgente repensar a História para que a História não continue a ser contada ao modo dos que mataram a Pátria e destruiram a verdadeira nação portuguesa pluriracial e pluricontiental.
Rui Moio

Portugal Imortal

via O Saudosista by Saudosista on 2/1/08


Descobrimentos (XXIII)

via Carreira da Índia by Leonel Vicente on 2/1/08

A continuação da expansão para sul foi confiada a Diogo Cão que, partindo em Agosto de 1482, chegaria (já em 1483) à foz do rio Zaire (Congo), aí erguendo o primeiro “padrão”, na actualmente designada “Ponta do Padrão” (6º sul de latitude).

Prosseguiria ainda para sul, chegando até ao Cabo Lobo, a 13º 6’ de latitude sul (já na costa sul de Angola), concluindo erroneamente ter chegado à extremidade do continente africano, erro que D. João II não perdoaria.

Entretanto, em 1484, a requerimento de Cristóvão Colombo, D. João II conceder-lhe-ia uma audiência, na qual o navegador solicitaria financiamento para concretizar a sua ideia de expedição à Índia navegando para ocidente (rota sugerida por Toscanelli).

Porém, com base no parecer da Junta de Cosmógrafos, o projecto de Colombo seria reprovado.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

ROBERT GRAVES

Nota Pessoal
Há anos a televisão transmitiu a série "Eu Cláudio, Imperador" baseado no célebre livro de Robert Graves. Série belíssima que nos traça uma panorânima da vida romana ao tempo do Imperador Cláudio.
Rui Moio

via Da Literatura by Eduardo Pitta on 2/1/08

Hoje no Público:


É para mim um mistério o facto de Robert Graves (1895-1985), um dos mais importantes autores de língua inglesa, continuar praticamente inédito em Portugal. Do pouco que há traduzido, destacaria os Mitos Gregos (1955) e Eu, Cláudio (1934). Logo ele, que é notabilíssimo poeta, ficcionista, ensaísta e memorialista, autor de cerca de cento e cinquenta títulos, entre os quais uma famosa biografia de T. E. Lawrence, o coronel britânico que hoje identificamos como Lawrence da Arábia, ou as recolhas de poesia que começaram por fixar o seu nome no cânone dos “poetas da guerra” (casos de Wilfred Owen, Siegfried Sassoon, Rupert Brooke e outros) mas depressa extravasaram esse âmbito.

Chegou agora a vez de Rei Jesus, a sua muito heterodoxa biografia de Cristo, publicada em 1946 sob um coro de aplausos e objurgatórias. O que à partida pareceria uma provocação, faz todo o sentido no contexto de uma obra que se ocupara já da reinterpretação de mitos clássicos, históricos e literários, como fora o caso da autobiografia do imperador romano Cláudio, entretanto popularizada pela televisão; de Conde Belisário (1938), sobre as façanhas do general bizantino que venceu os persas; ou de Wife to Mr Milton (1943), acerca das vicissitudes do casamento de John Milton com Marie Powell.

Homem de sólida cultura humanística — seu pai, Alfred Perceval Graves, além de poeta foi bispo de Limerick —, escolheu fazer da vida de Cristo «um romance histórico pelo método analéptico», isto é, recuperando acontecimentos esquecidos através da suspensão do tempo. Enquanto narrador, Graves coloca-se no lugar do velho Agabo, o Decapolitano, porque, diz ele, «as divergências da tradição sinóptica em relação àquilo que parece ser a história verdadeira exigem um comentário explicativo sobre a política da Igreja depois da queda de Jerusalém.» O ponto de partida foi o livro do Novo Testamento conhecido por Actos dos Apóstolos, atribuído ao evangelista Lucas.

Este Rei Jesus contraria muito do que sabemos a partir do Evangelho segundo S. João (o qual, por sua vez, difere dos de Mateus, Marcos e Lucas por estender a três anos o que os anteriores resumem a um), pois Graves considera que o apóstolo João demonstraria «premeditada ignorância de assuntos judaicos». O problema do nascimento de Jesus é outra fonte de atrito. Ciente da provável ofensa que faz a muitos cristãos, Graves rejeita a virgindade de Maria, ou seja, a «doutrina mística do Nascimento em Virgindade», discorrendo largamente sobre «a audaciosa teoria do miraculoso nascimento de Jesus». Afinal, se nenhuma espécie de mistério envolvesse «os seus pais», o nascimento de Jesus teria outra explicação. Nessa convicção, e apoiado nas Sagradas Escrituras, confronta várias hipóteses, entre elas a de que Maria já estivesse grávida quando assinou «o contrato de casamento com José», facto que, a ter-se verificado, faria de Jesus, «de acordo com a Lei Judaica [...] um bastardo, mesmo que o casamento não tivesse sido consumado e ela se tivesse, entretanto, casado em segredo com outro homem qualquer.» De caminho, reconhece que estas polémicas não têm a força que tinham no tempo de Justino.

No livro, os cristãos são referidos como “crestãos” (os seguidores de Chrestos), no sentido de serem homens bons, simples, íntegros, modestos e auspiciosos, por oposição a cristãos, «que sugere desafio ao Imperador» e uma clara intenção de «nacionalismo judaico». Mas crestão também pode querer significar “simplório” (atente-se na invectiva de Pôncio Pilatos a Cristo no momento da crucificação), e Simplórios é justamente o título do primeiro capítulo da obra: «Eu, Agabo, o Decapolitano, comecei esta obra em Alexandria no nono ano do Imperador Domiciano e completei-a em Roma no décimo terceiro ano do mesmo. É a história do fazedor de milagres Jesus, legítimo herdeiro dos domínios de Herodes, Rei dos Judeus, que, no décimo quinto ano do Imperador Tibério, foi sentenciado à morte por Pôncio Pilatos, governador-geral da Judeia.»

Parecerá a muita gente que Graves trata a figura de Cristo como trataria a de um político coevo. Creio que a intenção foi essa, daí o escândalo que o livro suscitou há sessenta anos, época em que foi elogiado em privado por pessoas (Churchill foi uma delas) que não podiam fazê-lo em statement público. A imagem de um Cristo libertador, no sentido político do termo, pode chocar com a visão catequista de grande parte dos católicos. Mas Graves não faz teologia, nem pretende corrigir o discurso eclesiástico. É como romance que Rei Jesus deve ser lido, por muito rigorosas que sejam as suas fontes, e atento o cuidado posto no confronto das várias versões dos textos bíblicos. Em matéria de tal melindre, só alguém com o estatuto de Graves poderia, em registo ficcional, dar credibilidade epistemológica à dicotomia entre sagrado e profano. E ele não hesitou em fazê-lo.


O Rei dos Judeus, in Ípsilon, 1-2-2008, pp. 32-33. Quatro estrelas.

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