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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Malangatana ...o recado que me deixou

Uma memória em prosa-poética de Malangatana para o artista moçamedense Mário Tendinha aqui revelada  por este aquando da morte do grande pintor moçambicano.
Rui Moio


Tive o previlégio de conhecer o Malangatana, em Maputo nos anos 80.
Ele partiu agora, mas deixou-me escrita uma dedicatória, que muito prezo e um desenho, feitos na primeira página e contracapa do seu livro Desenhos de Prisão, que aqui deixo expressos em sua homenagem:

"Olá Tendinha-
- Colega!
De madrugada vovô Gudwana vai chegar, chegar das profundezas lá onde outros vivem, temos aqui os potes de wuputyu para ele bebericar, mas não sózinho, nós também bebericaremos com ele para que os Espíritos cantem conosco velhas canções dos rituais.
Ahhh, tambores já estão a roncar para afugentar maus espíritos!
Malangatana
26/7/2007"

Fonte: Blogue "Mário Tendinha' s Site", post de 01Jun2011

sábado, 26 de junho de 2010

Mãe Preta

via A Matéria do Tempo by Fernando Ribeiro on 6/25/10

Mãe Preta é uma canção que surgiu no Brasil na década de 30 do século passado, sobre o drama pungente de uma ama negra no tempo da escravatura. Com música composta por "Caco Velho" (Matheus Nunes) e letra de "Piratini" (António Amabile), Mãe Preta chegou a Portugal nos primeiros anos da década de 50 pela voz da fadista Maria da Conceição. Esta versão portuguesa foi um êxito colossal, que as rádios tocavam sem cessar e que as pessoas cantarolavam e assobiavam por todo o lado. Até que, de repente, a Mãe Preta deixou de se ouvir nas rádios. E as pessoas interrogavam-se sobre este silêncio subitamente instalado:


-- O que é que aconteceu à Mãe Preta, que nunca mais ouvi no rádio?

-- Não sabe? O Salazar proibiu.

-- Oh, que pena! Era tão bonita!

Entretanto, novos êxitos musicais foram surgindo, nas vozes de Amália Rodrigues, Maria de Lourdes Resende, Francisco José e outros. Mesmo assim, a Mãe Preta continuava presente na memória dos portugueses, com as suas palavras que a ditadura pretendeu calar:

Pele encarquilhada, carapinha branca,
gandola de renda caindo na anca,
embalando o berço do filho do sinhô,
que há pouco tempo a sinhá ganhou.

Era assim que Mãe Preta fazia.
Tratava todo o branco com muita alegria.
Enquanto na sanzala Pai João apanhava,
Mãe Preta mais uma lágrima enxugava.

Mãe Preta, Mãe Preta!

Enquanto a chibata batia no seu amor,
Mãe Preta embalava o filho branco do sinhô.

Poucos anos depois, tirando partido das saudades que as pessoas conservavam da canção Mãe Preta, Amália Rodrigues gravou um fado chamado Barco Negro, com um poema de David Mourão-Ferreira sobre a música da Mãe Preta. Este fado, que tem como tema o amor de uma mulher por um homem morto num naufrágio, foi um dos maiores êxitos de toda a carreira de Amália. Foi um êxito tão grande, que a letra original da Mãe Preta acabou mesmo por cair no esquecimento em Portugal.



Barco Negro, por Amália Rodrigues

Seria de esperar que, depois da queda da ditadura em 25 de Abril de 1974, a Mãe Preta reaparecesse em Portugal com a sua letra original, cantada por uma das novas vozes saídas após a Revolução. Porém, tal quase não aconteceu. O que aconteceu foi que as novas fadistas voltaram a cantar o Barco Negro, que Amália Rodrigues cantara, e não a original Mãe Preta, que Maria da Conceição tinha popularizado. Foi o que fez Mariza e foi o que fez, mesmo, o brasileiro Ney Matogrosso. No meio das várias vozes que cantaram de novo o Barco Negro, uma voz, pelo menos, se fez ouvir com a "velhinha" Mãe Preta: a de Dulce Pontes.



Mãe Preta, por Dulce Pontes

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Lançamento d` Antologia Poética de Rodrigo Emílio

via nonas by nonas on 2/18/10
A Associação Cultural Areias do Tempo, fará o lançamento da "Antologia Poética" de Rodrigo Emílio, organizada por Bruno Oliveira Santos e prefaciada por António Manuel Couto Viana, no próximo dia 20, Sábado, às 18 horas, na SHIP, (no Palácio da Independência, ao Largo de São Domingos, n.º 11, em Lisboa).
O lançamento terá a participação de José Valle de Figueiredo, de
Manuel Varella e a contribuição musical de José Campos e Sousa.
A não perder!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Livro: Ainda Não de Couto Viana

via ALMA PÁTRIA - PÁTRIA ALMA by Vítor Ramalho on 1/28/10

Ainda Não foi desta que António Manuel Couto Viana, poeta maior da Poesia Portuguesa, nos deixou de nos brindar - como todos os anos o faz - no dia do seu aniversário mais um livro de Poesia, editado pela Averno.
São mais cinquenta páginas, a acrescentar às milhares que ao longo de mais de sessenta anos tem presenteado a Cultura Portuguesa, pelo preço de 10 euros e com tiragem única de 300 exemplares.
Os pedidos podem ser feitos para a página da editora ou para o email: ed.averno@gmail.com.
A Editora Averno já tinha dado à estampa os magníficos Restos de Quase Nada e Outras Poesias (2006) e Disse e Repito (2007) de Couto Viana.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

"ADÉ" - JOSÉ DOS SANTOS FERREIRA

via CAMBETA BANGKOK MACAU O MAR DO POETA by MACAU BANGKOK O MAR DO POETA on 12/27/09
José dos Santos Ferreira

José dos Santos Ferreira, mais conhecido por Adé, foi um poeta de Macau. Nasceu em Macau a 28 de Julho de 1919 e faleceu em Hong Kong a 24 de Março de 1993. Viveu durante toda a sua vida na sua terra natal. O seu pai é um português oriundo de Portugal e a sua mãe é uma macaense. Foi o último poeta popular macaense que deixou uma vasta obra composta de poemas, peças de teatros, livros, programas radiofónicos e operetas em Patuá, um crioulo de base portuguesa desta ex-colónia portuguesa.

Suas Obras
Escandinávia, Região de Encantos Mil (1960)
Macau sa Assi (em patuá) (1968)
Qui Nova, Chencho (em patuá) (1974)
Papiá Cristâm di Macau: Epitome de gramática comparada e vocabulário : dialecto macaense. Macau: [s.n.] (1978)
Bilhar e Caridade (poesias) (1982)
Camões, Grándi na Naçám (em patuá) (1982)
Poéma di Macau (poesias, em patuá)(1983)
Macau di tempo antigo: Poesia e prosa: dialecto macaense. Macau: author's edition (1985).
Nhum Vêlo (em patuá) (1986)
Poéma na língu maquista (Poesia em papel-de-arroz). Macau: Livros do Oriente (1992).


Masqui ramendá unga tosco bote,
Largado na mar co ónda picánte,
Quim pôde isquecê acunga dote
Qui já dá vôs grandura di gigánte!
Pa quim buscá luz, vôs sandê candia;
Quim passá fome, vêm aqui têm pám;
Pa quim ta fuzi, susto ventania,
Vôs dá teto co paz na coraçám.

Poema no dialecto Pátua

As gerações vindouras dos bons Macaenses que, a exemplo dos seus antepassados, saberão certamente, guardar Macau fundo no coração e tudo fazer por honrar o nome desta terra de sonhos, por Deus sempre abençoada.

JOSÉ DOS SANTOS FERREIRA - ( extraído do livro Doci Papiaçám di Macau)


O articulista teve a honra de conhecer pessoalmente tão ilustre Filho da Terra e Ilustre Poeta
.
Nesta Quadra Natalícia, o articulista foi prestar homenagem ao Grande Poeta de Macau, José dos Santos Ferreira.

O Governo de Macau mandou erguer uma Estátua num dos jardins da cidade, defronte do Hotel Casino Winn.

Um local tranquilo onde o Grande Poeta repousa, no caminho com o seu nome, bela e bem merecida homenagem a este Ilustre Poeta que tanto amou a sua terra, Macau Sã assim!...

Que a sua alma e sua poesia se encontrem junto de Deus, lá nos Reinos dos Céus.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Livro: Antologia Poética de Rodrigo Emílio

via nonas by nonas on 12/15/09
A editora Areias do Tempo homenageia o Rodrigo Emílio com esta edição da Antologia Poética que inclui colaborações de António Manuel Couto Viana com uma brilhante Carta-Prefácio e a extraordinária Introdução de Bruno Oliveira Santos.
São 294 páginas de cultura lusíada pelo preço de 10€!
Os pedidos devem ser feitos para: areiasdotempo@gmail.com
Uma inesquecível prenda de Natal.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Pense Diferente

via Insistimento de Marcos Rezende em 07/10/09
Viva os loucos,
Os desajustados,
Os rebeldes,
Os desordeiros.
Os peixes fora d'água.
Os que veem as coisas de modo diferente.
Eles não gostam de muitas regras
E não respeitam o status quo

Você pode elogiá-los,
Criticá-los, endeusá-los ou
Difamá-los.
Só não é possível ignorá-los.
Pois eles provocam mudanças,
Obrigam a raça humana a evoluir.
Alguns podem vê-los como loucos,
Mas nós os vemos como gênios.
Porque aqueles que são loucos o suficiente
Pra pensar que podem mudar o mundo,
São os que, de fato,
O fazem.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Blogue "Sentires Sentidos" contemplado com o Prémio "Blog de Ouro"

via Angola: os poetas de kinaxixi em 04/08/09
Prémio

Foi-nos atribuído o Prémio Blogue de Ouro. Este blogue tem muito pouco, ou quase nada, do seu autor, uma vez que é essencialmente escrito pelos poetas angolanos. É uma questão da mais sensata justiça afirmar que o prémio é deles.
Curiosamente recebemos o prémio de um poeta angolano, Namibiano Ferreira, também blogger, que agradecemos. E, com certeza, nos envaidece.
Agora, cumprindo as regras devo indicar 5 outros blogues. Aqui vão, depois de publicar as regras. É das regras:
1. Exiba a imagem do selo "Blog de Ouro";
2. Poste o link do blog de quem te indicou;
3. Indique 5 blogs de sua preferência;
4. Avise seus indicados;
5. Publique as regras;
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

DESTINO DE BAI

via Livro di Téra de BMF em 20/06/09

Antologia de poesia inédita caboverdiana

Esta obra reúne composições inéditas de 32 poetas cabo-verdianos residentes no país e na diáspora. Participaram JOSÉ LUÍS H. ALMADA / CARLOS ARAÚJO / EILEEN BARBOSA / KAKÁ BARBOSA / PAULINO DIAS / G. T. DIDIAL / FILINTO ELÍSIO / ANITA FARIA / TCHALÊ FIGUEIRA / JORGE CARLOS FONSECA / MARGARIDA FONTES / CORSINO FORTES / ADRIANO GOMINHO / LAY LOBO / JOSÉ VICENTE LOPES / CHISSANA MAGALHÃES / VASCO MARTINS / MITO / JORGE MIRANDA / ANTÓNIO DE NÉVADA / OSWALDO OSÓRIO / VALDEMAR PEREIRA / MARIA HELENA SATO / LUIZ SILVA / MÁRIO LÚCIO SOUSA / DANNY SPÍNOLA / PAULA VASCONCELOS / ARMÉNIO VIEIRA / ARTUR VIEIRA / ELISA SCHNEBLE / VERA DUARTE / JOSÉ MARIA NEVES.

Organizada por Francisco Fontes

Editor: Saúde em Português
Ano de edição: 2008

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Nós continuamos lá.

via Estado Sentido de Cristina Mendes Ribeiro em 10/06/09

 ( «  Camões na Gruta de Macau », de Francisco Augusto Metrass ) 

...as pessoas vivem este dia, muito intenso, com a presença de Portugal...

Uma homenagem a José Ramos 

Já conhecia há muito o quadro do "Camões na gruta de Macau" mas desconhecia que fora pintado por Francisco Metrass. E Francisco Metrass foi comtemplado com o nome de uma rua de Campo de Ourique, em Lisboa - rua onde viveu o José Ramos, um senhor, dono de uma voz única. José Nuno Martins disse que no mundo só deveria haver 5 vozes como esta. Oiçam-na na declamação da "Carta de um Contratado" do poeta António Jacinto.

Rui Moio



quarta-feira, 3 de junho de 2009

MALUDA - 10 Anos de Saudade

via Lisboa no Guiness de Lisboa no Guiness em 10/05/09
RECORDAR MALUDA, é homenagear uma grande artista, gostava de Fado, tinha uma alma bem fadista, também  cantava, sim  cantava Lisboa pintando as suas janelas, os seus quiosques e seus telhados.

PARA UMA PINTORA
( Prosa de Helena Monteiro - no dia em Maluda faleceu)

Na geometria dos teus telhados
Na simetria da tua paisagem
Na luminosidade dos teus quiosques
Na serenidade das tuas janelas
Encontraste a força intelectual
A sabedoria exponencial
A beleza espiritual
De pintar Lisboa
De pintar Portugal.

Maluda , deixou-nos em 10 de Fevereiro de 1999

 Janela de Lisboa

 

    Nasceu na cidade de Pangim, em Goa, no então Estado Português da Índia. Viveu desde 1948 em Lourenço Marques (actual Maputo), onde começou a pintar e onde formou, com mais quatro pintores, o grupo que se intitulou "Os Independentes", que expôs colectivamente em 1961, 1962 e 1963. Em 1963 obteve uma bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian e viajou para Portugal, onde trabalhou com o mestre Roberto de Araújo em Lisboa. Entre 1964 e 1967 viveu em Paris, bolseira da Gulbenkian. Aí trabalhou na Académie de la Grande Chaumière com os mestres Jean Aujame e Michel Rodde. Foi nessa altura que se interessou pelo retrato e por composições que fazem a síntese da paisagem urbana, com uma paleta de cores muito característica e uma utilização brilhante da luz, que conferem às suas obras uma identidade muito própria e inconfundível.

Em 1969 realizou a sua primeira exposição individual na Galeria do Diário de Notícias, em Lisboa. Em 1973 realizou uma grande exposição individual na Fundação Gulbenkian, que obteve grande sucesso, registando cerca de 15.000 visitantes e lhe deu grande notoriedade a partir de então.

Entre os anos de 1976 e 1978 foi novamente bolseira da Fundação Gulbenkian, estudando em Londres e na Suíça.

A partir de 1978 dedicou-se também à temática das janelas, procurando utilizá-las como metáfora da composição público-privado.

Em 1979 recebeu o Prémio de Pintura da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa. Nesse ano realizou ainda uma exposição na Fundação Gulbenkian em Paris. A partir de 1985, Maluda foi convidada para fazer várias séries de selos para os CTT. Dois selos da sua autoria ganharam, na World Government Stamp Printers Conference, em Washington, em 1987 e em Périgueux (França), em 1989, o prémio mundial para o melhor selo. Em 1994 recebeu o prestigiado prémio Bordalo Pinheiro, atribuído pela Casa da Imprensa. No âmbito da "Lisboa Capital da Cultura", realizou uma exposição individual no Centro Cultural de Belém em Lisboa.

Em 1998 foi agraciada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com a Ordem do Infante D. Henrique, ao mesmo tempo que realizou a sua última exposição individual, "Os selos de Maluda", patrocinada pelos CTT.

Maluda morreu em Lisboa em 1999, aos 64 anos. Em testamento, a artista instituiu o "Prémio Maluda" que, durante alguns anos, foi atribuído pela Sociedade Nacional de Belas-Artes.

in: Wikipédia 

Quiosque de Lisboa

terça-feira, 19 de maio de 2009

Mario Benedetti (1920-2009)

via Bibliotecário de Babel de José Mário Silva em 18/05/09

Morreu o escritor uruguaio Mario Benedetti, «poeta do compromisso, do amor e da alegria», como é definido por Juan Cruz, no obituário do El País. Noutro texto, muito breve, José Saramago considera-o «um amigo, um irmão».
Em Portugal, a Cavalo de Ferro publicou dois dos seus romances: A Trégua e Obrigada pelo Lume.
Neste vídeo, excertos de uma entrevista ao canal Telesur:

quinta-feira, 14 de maio de 2009

13 de Maio Dia de Nossa Senhora de Fátima

As Aparições de Fátima, freguesia do concelho de Vila Nova de Ourém, distrito de Santarém, e paróquia da diocese de Leiria e Fátima desenrolaram-se em três períodos ou ciclos: os dois primeiros tiveram lugar em Fátima, o terceiro em Pontevedra e Tuy, na Galiza, Espanha.
É longo o relato das Aparições constantes dos manuscritos da Irmã Lúcia,uma dos três videntes (a Virgem apareceu a três crianças: Lúcia, Jacinta e Francisco).
Desenrolaram-se em 1917 e depressa a devoção à Senhora de Fátima se tornou mundialmente conhecida.
A 13 de Outubro de 1930 o Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva houve por bem declarar dignas de crédito as visões das crianças da Cova da Iria e permitir, oficialmente, o culto de Nossa Senhora de Fátima.
O papa Pio XII, anuindo aos pedidos de Nossa Senhora, consagrou o mundo inteiro ao Imaculado Coração de Maria a 31 de Outubro de 1942. A consagração da Rússia fê-la a 7 de Julho de 1952.
Paulo VI consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria a 21 de Novembro de 1964.
João Paulo II fez a consagração do mundo e da Rússia ao mesmo Imaculado Coração, em Fátima, a 13 de Maio de 1982; em Roma, a 16 de Outubro de 1983 e, finalmente, a 25 de Março de 1984, em Roma de novo, diante da imagem levada da Capelinha das Aparições até ao Vaticano.
NOSSA SENHORA DE FÁTIMA ROGAI POR NÓS!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Na SHIP, 15 de Maio: Homenagem a António Manuel Couto Viana

via nonas de nonas em 12/05/09
No dia 15, António Manuel Couto Viana será alvo de mais uma homenagem - entre tantas e muitas ao longo da sua vida - pela sua vida e obras.
Os conferentes são os drs. João Bigotte-Chorão e António Leite da Costa e com a participação musical de José Campos e Sousa que irá interpretar os poemas "Identidade", "Sangue" e "Ao Condestável, jubilosamente".
A homenagem terá início às 17.30 na Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

domingo, 10 de maio de 2009

Guiné 63/74 - P4306: Blogpoesia (46): O sexo em tempo de guerra (Luís Graça)

via Luís Graça & Camaradas da Guiné de Luís Graça em 09/05/09
Bajuda no Cais de Bambadinca. Quadro a óleo pintado, em 2007, por Jaime Machado, ex-Alf Mil Cav do Pel Rec Daimler 2046, Bambadinca, 1968/70, e membro da nossa Tabanca Grande (*). Edição e reprodução, com a devida vénia.

Foto: © Jaime Machado (2008). Direitos reservados.


Guiné > Zona Leste > Bafatá > "O Bataclã, um dos pontos de lazer e divertimento da rapaziada" (Manuel Mata, ex-1º cabo apontador de Carros de Combate M 47, Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640, Bafatá e Piche, 1969/71)...

"Quando se chegava a Bafatá, para retemperar forças lá vinha um fim-de-semana, uma folga, que era reconfortante, com uma ida ao cinema, ao café da D. Rosa, do Teófilo, da Transmontana, ao Bataclã, à piscina da nossa bela Bafatá que, em 12 e 13 de Março de 1970, teve as cerimónias de elevação a cidade, onde esteve presente o Ministro do Ultramar" (**)...

Foto: © Manuel Mata (2006). Direitos reservados.


Guiné > Zona Leste > Gabu > Canjadude > CCAÇ 5 (1973/74) > Canjadude, a Ilha dos Amores. Ou: os tugas e a psico... E no meio, uma bajuda fula, linda de morrer, objecto de desejo... Sob o olhar vigilante da mamã, e rodeada dos manos mais pequenos... Repare-se como os tugas, passada a primeira surpresa da exposição ao nu étnico, se apoderaram rapidamente do termo psico e deram-lhe uma outra conotação... mais épica, mais erótica, mais camoniana... (Espero que o nosso Big Brother não caia na tentação de considerar este material como pornográfico e pedófilo...). (***)
Foto: © João Carvalho (2006). Direitos reservados






















Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > CCAÇ 12 (Junho 69 / Mar 71) > O Fur Mil At Armas Pesadas Henriques, com o Sold Apont Mort 60 Umaru Baldé, o puto (já falecido), e o 1º Cabo José Carlos Suleimane (que hoije vive em Amedalai), do 4º Gr Comb, em Finete, no Cuor (à esquerda); e no cais de Bambadinca (à direita), com os seus papéis debaixo do braço, e a pulseira de missangas vermelhas no pulso esquerdo...

Não tendo a especialidade de atirador de infantaria, o Henriques era o pião de Nicas do Capitão Inf QP Carlos Brito (hoje Cor Ref), tendo com isso percorrido todos os 4 Gr Comb da CCAÇ 12, e apanhado, no mato, a porrada suficiente para um dia poder contar aos netos, se os tiver, que a morte é certa mas que a vida é bela e vale a pena ser vivida...

Fotos: © Luís Graça (2005). Direitos reservados


Deixa soltar as tuas gargalhadas (****)...
Amorosa Helena,
pequena fula dengosa,
salva das garras do Islão
por zelosos missionários,
católicos,
apostólicos,
romanos,
mas não da faca da
fanateca,
que te extirpou,
na festa do
fanado,
o teu belo clitóris,
para te tornares o colchão de todas as camas,
a Vénus negra de batalhões inteiros,
a iniciadora sexual de
tugas,
mancebos
que as sortes vieram arrancar às saias das mamãs,
a alegre,
a divertida,
a traquinas companheira de muitas farras de caserna,
correndo, nua e lasciva,
do regaço de tropas bêbedos que nem cachos,
para o abrigo mais próximo
quando às tantas da madrugada
soava o canhão sem recuo,
estoirava o morteiro 82,
disparavam os RPG
e silvavam as balas das Kalash!...

Bela Helena de Bafatá,
que sabias pôr na ordem
os arruaceiros pára-quedistas de Galomaro
que te batiam à porta a pontapé,
quando eu estava contigo,
deitado na tua liteira,
e me dispensavas pequenas gentilezas
- um ronco de missangas, vermelhas,
uma noz de cola,
uma cantilena da tua infância,
um punhado de mancarra seca ao sol,
uma talhada de papaia que trazias do mercado -,
sempre que eu ia a Bafatá
e procurava a tua companhia,
na melhor das hipóteses,
uma vez por mês,
no dia de folga dos guerreiros de Bambadinca…
Tu e as tuas amigas de Bafatá,
do
Bataclã,
que tanto trabalho deram
ao competentíssimo furriel enfermeiro Martins,
que nunca punha os pés fora da sua morança,
e que eu duvido que alguma vez tenha ido a Bafatá,
o nosso querido
Pastilhas (*****),
que vivia 24 horas dentro do arame farpado,
no perímetro militar de Bambadinca,
trabalhando incansavelmente,
de bata branca,
em prol de uma
Guiné Melhor,
que nos aturou mil e um travessuras,
bravatas,
praxes,
esperas,
serenatas,
tainadas,
emboscadas,
partidas de mau gosto,
brincadeiras estúpidas e perigosas,
bebedeiras de caixão à cova
e que sobretudo nos curou
de alguns valentes
esquentamentos

Destes e doutros males de amores,
dos milhões de unidades de penicilina
com que tu subtilmente te vingaste dos machos,
estás perdoada, Helena,
abelha do mel e do ferrão.
Afinal, quem vai à guerra,
dá e leva…
Tu curavas-nos dos males da alma,
o
Pastilhas das mazelas do corpo…
Entretanto, quando a guerra acabou,
para mim
e para os demais
tugas da CCAÇ 12,
por volta do mês de Março de 1971,
não tive tempo de te devolver
a pulseira de missangas vermelhas,
nem sequer de te dizer uma palavra,
um
Adeus, até sempre,
um adeus, triste,
com saudade, morabeza,
essa coisa que os tugas nunca te souberam explicar,
mas sem regresso,
e sem lágrimas,
que Lisboa estava ali,
tão longe e tão perto...
Prometi guardar de ti
a doce lembrança,
das tuas estridentes e saudáveis gargalhadas,
da tua voz rouca e sensual,
da tua fala encantatória,
do cheiro exótico do teu corpo,
das tuas sagradas funções de sacerdotiza
do amor em tempo de guerra…

Imagino que a tua vida não tenha sido fácil
depois da independência,
se é que lá chegaste,
com vida e saúde…
Se sim, não sei como viveste esse dia,
24 de Setembro de 1974,
não sei te raparam o cabelo,
ou se te apedrejaram, amarrada a um poilão,
ou se te violaram
ou se te renegaram para sempre,
que a pior das mortes
é a morte social.
Nunca mais tive notícias tuas,
mas, dez anos,
revendo mentalmente
a minha primeira viagem,
por terra,
em pleno
chão fula,
do Xime até Contuboel,
onde os esperavam os nossos queridos
nharros,
ao longo do interminável dia 2 de Junho de 1969,
o teu nome,
o teu rosto,
a tua voz,
o teu odor,
o teu corpo,
a tua púbis,
e as tuas gargalhadas, quiçá magoadas,
vieram-me à lembrança…
E essa lembrança tocou-me.

Lembrei-te de ti,
da história que se contava sobre ti,
passada em
Ponta Coli,
entre o Geba e o Udunduma,
frente à vasta bolanha de Samba Silate,
agora seara inútil de capim alto,
com o cadáver do furriel vagomestre do Xime nos braços.
Lembrei-te de ti
e das minhas escapadelas a Bafatá…
Ia-se a Bafatá,
a bonita e alegre Bafatá colonial,
para
limpar a vista,
entrar no café da Dona Rosa,
ver as
manas libanesas,
comprar umas bugigangas da civilização,
comer o bife com ovo a cavalo na
Transmontana,
dar um salto ao
Bataclã
e passar pelo
Teófilo,
para o copo de despedida,
antes de apanhar o último Unimog,
de regresso a Bambadinca...

Eram os únicos momentos do mês
em que eramos donos do nosso tempo,
em que a nossa liberdade não estava cercada
de arame farpado e minas,
nem pensávamos na emboscada de ontem
nem na operação de amanhã.
Também foste, à tua maneira,
uma heroína daquela guerra,
minha impossível amiga colorida,
separada pelos papéis
que nos obrigaram a representar
no teatro da tragicomédia daquela guerra…
Daí figurares,
contra toda a ortodoxia
(do teu povo, fula,
dos teus missionários, cristãos, que te queriam a alma,
dos tugas, putos de vinte anos,
que apenas te queriam o corpo,
dos revolucionários do PAIGC
que não te terão perdoado
o teu
colaboracionismo com os tugas,
para mais sendo tu conterrânea do pai da Pátria,
o pobre do Amílcar Cabral
tantas vezes morto e remorto
ao longo destes anos todos),
daí figurares, dizia eu,
na minha galeria de heróis
e de heroínas…
Por direito próprio,
com todo o direito,
com o direito que ganharam as mulheres do teu país,
pobres,
as mais pobres dos mais pobres,
mas sempre dignas e corajosas,
apesar de ofendidas e humilhadas,
exploradas,
violentadas pelo sistema,
pela guerra,
pela dominância dos machos,
pelo imperativo da sobrevivência,
pela lotaria da geografia e da história…
Aceita esta pequena homenagem da minha parte.
Em contraparida,
dá-me o derradeiro prazer,
esse prazer tão terno,
de te ouvir soltar as tuas gargalhadas,
minha safada Helena de Bafatá,
onde quer que estejas,
...na terra,
no céu
ou no inferno!

Luís Graça (*******)

_____________

Notas de L.G.:

(*) Vd. poste de 24 de Julho de 2008 > Guiné 63/74 - P3092: Os Nossos Seres, Saberes e Lazeres (1): Pinturas, de Jaime Machado; As Capelas de Leça, de José Oliveira

(**) Vd. poste da I Série > 25 de Março de 2006 > Guiné 63/74 - DCLII: Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640 (Bafatá, 1969/71) (Manuel Mata) (3)

(...) Café do Teófilo: À saída de Bafatá, na estrada para Bambadinca. Este homem era sobrevivente de um grupo desterrado para a Guiné nos anos 30. No período da guerra era apontado como sendo informador do IN. Foi pessoa com quem me dei particularmente bem, pois tinha pelos alentejanos (em especial de Portalegre) um carinho especial. Era sítio que eu visitava com alguma regularidade, tomava-se uma cerveja gelada, com alguma descrição, acompanhada de uma breve conversa. Era uma pessoa de parcas palavras. (...)

(***) Vd. poste da I Série > 17 de Março de 2007 > Guiné 63/74 - DCXXXVII: Mais fotos de Canjadude (CCAÇ 5, 1973/74) (João Carvalho)

(****) Vd. poste de

12 de Janeiro de 2006 > Guiné 63/74 - CDXLIV: A galeria dos meus heróis (3): A Helena de Bafatá (Luís Graça)

(*****) Vd. postes de:

13 de Dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1366: A galeria dos meus heróis (6): Por este rio acima, com o Bolha d'Água, o Furriel Enfermeiro Martins (Luís Graça)

5 de Dezembro de 2008 >Guiné 63/74 - P3567: Humor de caserna (7): O Pastilhas e a bajuda (Gabriel Gonçalves, CCAÇ 12, Contuboel e Bambadinca, 1969/71)

(******) Vd. restantes postes da série A galeria dos meus heróis:

1 de Agosto de 2006 > Guiné 63/74 - P1014: A galeria dos meus heróis (5): Ó Pimbas, não tenhas medo! (Luís Graça)

1 de Agosto de 2006 > Guiné 63/74 - P1011: A galeria dos meus heróis (4): o infortunado 'turra' Malan Mané (Luís Graça)

14 de Outubro de 2005 > Guiné 63/74 - CCXLII: A galeria dos meus heróis (2): Iero Jau (Luís Graça)

13 de Setembro de 2005 > Guiné 63/74 - CLXXXVIII: A galeria dos meus heróis (1): o Campanhã (Luís Graça)


(*******) Convenhamos que o tema (o sexo em tempo em tempo de guerra...), se não é tabu (porra, já somos crescidinhos!), também não se presta muito a inconfidências na praça pública (incluindo a blogosfera)... (Estou a repetir o que já disse, por outras palavras, noutra ocasião).

Por pudor (?), no bando dos machos que já foram dominantes, não se fala muito das velhas proezas amorosas ou simplesmente sexuais... Mesmo assim, o tema já inspirou alguns dos nossos melhores prosadores (e poetas)... E até temos um mão cheia de textos de antologia sobre as nossas bravatas sexuais e os nossos (des)amores. Não cito nomes, por que não quero correr o risco de ser injusto nem muito menos tirar o prazer da leitura e da descoberta, em primeira mão...

Falo aqui, não como editor, mas simples leitor do blogue (se me for permitido, de quando em quando, esse privilégio de poder mudar de papel como quem muda de camisa, violando a regra da isenção e da equidade)... Eis uma lista (incompleta, provisória, quiçá arbitrária) de postes sobre este tópico, que tem os seus defensores e os seus críticos:

21 de Março de 2009 > Guiné 63/74 - P4065: As Nossas Queridas Enfermeiras Pára-Quedistas (7): Os tomates do Capelão da BA 12, Bissalanca... e outras frutas (Miguel Pessoa)

5 de Julho de 2008 > Guiné 63/74 - P3025: Os nossos regressos (7): Perdido, com um sentimento de orfandade, pelos Ritz Club, Fontória, Maxime, Nina... (Jorge Cabral)

1 de Dezembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3546: Gloriosos Malucos das Máquinas Voadoras (14): Em Junho de 69 havia bajudas a alternar no Tosco, na Conde Redondo (Jorge Félix)

19 de Fevereiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2556: Estórias de Bissau (16) : O Furriel Pechincha: apanhado ma non troppo (Hélder Sousa)

21 de Novembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2290: Estórias de Bissau (14) : O Pilão, a menina, o Jesus e os pesos que tinha esquecido (Virgínio Briote)

19 de Novembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2281: Estórias de Bissau (13) : O Pilão, a Nônô e o chulo da Nônô (Torcato Mendonça)

17 de Novembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2272: As nossas (in)confidências sobre o Cupelom, Cupilão ou Pilão (Helder Sousa / Luís Graça)

14 de Novembro de 2007 >Guiné 63/74 - P2264: Blogue-fora-nada: O melhor de... (3): Carta de Bissau, longe do Vietname: talvez apanhe o barco da Gouveia amanhã (Luís Graça)

28 de Fevereiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1554: As mulheres que ficaram na rectaguarda (Luís Graça /Paulo Raposo / Paulo Salgado / Torcato Mendonça)

3 de Fevereiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1490: Favores sexuais furtivos em Mampatá (Paulo Santiago)

2 de Fevereiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1484: Estórias de Bissau (10): do Pilão a Guidaje... ou as (des)venturas de um periquito (Albano Costa)

1 de Fevereiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1483: Blogoterapia (16): Males de amores ou... Tenho um lenço da minha lavadeira ali guardado na gaveta (David Guimarães et al)

31 de Janeiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1476: Blogoterapia (15) : Mulher tua (Torcato Mendonça)

31 de Janeiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1475: A chacun, sa putain... Ou Fanta Baldé, a minha puta de estimação (Vitor Junqueira)

24 de Novembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1314: Estórias de Bissau (8): Roteiro da noite: Orion, Chez Toi, Pilão (Paulo Santiago)

18 de Novembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1290: Estórias de Bissau (7): Pilão, os dez quartos (Jorge Cabral)

18 de Novembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1289: Estórias de Bissau (6): os prazeres... da memória (Torcato Mendonça)

11 Novembro 2006 > Guiné 63/74 - P1267: Estórias de Bissau (2): A minha primeira máquina fotográfica (Humberto Reis); as minhas tainadas (A. Marques Lopes)

20 de Julho de 2006 > Guiné 63/74 - P974: Estórias cabralianas (12): A lavadeira, o sobretudo e uma carta de amor

4 de Julho de 2006 > Guiné 63/74 - P936: Estórias cabralianas (11): a atribulada iniciação sexual do Soldado Casto

18 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DLV: Teresa: amores e desamores (Virgínio Briote)

17 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 -DXLVI: Estórias cabralianas (5): o Amoroso Bando das Quatro em Missirá

domingo, 26 de abril de 2009

Identidade

via ALMA PÁTRIA - PÁTRIA ALMA de Vítor Ramalho em 25/04/09

Um poema, que tanto nos diz, de António Manuel Couto Viana e que se recomenda na voz (um tanto silenciada, muito convenientemente...) de José Campos e Sousa:

O que diz Pátria mas não diz glória 
Com um silêncio de cobardia, 
E ardendo em chamas, chamou vitória, 
Ao medo e à morte daquele dia 

A esse eu quero negar-lhe a mão, 
Negar-lhe o sangue da minha voz, 
Que foi ferida pela traição 
E teve o nome de todos nós 

O que diz Pátria sem ter vergonha 
E faz a guerra pela verdade 
Que ama o futuro, constrói e sonha 
Pão e poesia para a cidade 

A esse eu quero chamar irmão 
Sentir-lhe o ombro junto do meu 
Ir a caminho de um coração 
Que foi de todos e se perdeu

Autor do poema: António Manuel Couto Viana


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Joaquim Paço d'Arcos

Venha daí revisitar ou conhecer um homem admirável! É dele este poema:

25 de Abril de 1974

Duzentos capitães! Não os das caravelas
Não os heróis das descobertas e conquistas,
A Cruz de Cristo erguida sobre as velas
Como um altar
Que os nossos marinheiros levavam pelo mar
À terra inteira! (Ó esfera armilar, que fazes hoje tu nessa bandeira?)
Ó marujos do sonho e da aventura,
Ó soldados da nossa antiga glória,
Por vós o Tejo chora,
Por vós põe luto a nossa História!
Duzentos capitães! Não os de outrora…
Duzentos capitães destes de agora (pobres inconscientes)
Levando hílares, ufanos e contentes
A Pátria à sepultura,
Sem sequer se mostrarem compungidos
Como é o dever dos soldados vencidos.
Soldados que sem serem batidos
Abandonaram terras, armas e bandeiras,
Populações inteiras
Pretos, brancos, mestiços (milagre português da nossa raça)
Ao extermínio feroz da populaça.
Ó capitães traidores dum grande ideal
Que tendo herdado um Portugal
Longínquo e ilimitado como o mar
Cuja bandeira, a tremular,
Assinalava o infinito português
Sob a imensidade do céu,
Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,
Um Portugal em miniatura,
Um Portugal de escravos
Enterrado num caixão d’apodrecidos cravos!
Ó tristes capitães ufanos da derrota,
Ó herdeiros anões de Aljubarrota,
Para vossa vergonha e maldição
Vossos filhos mais tarde ocultarão
Os vossos apelidos d’ignomínia…
Ó bastardos duma raça de heróis,
Para vossa punição
Vossos filhos morrerão
Espanhóis!


Joaquim Paço d'Arcos
via Os Veencidos Da Vida de Lory Boy em 06/01/09
A Universidade Lusíada habituou-nos a certas mostras que não fazemos qualquer intenção de desperdiçar.

Foi assim com a exposição sobre Profesor Doutor Manuel Gomes da Silva.

É agora com a mostra sobre Joaquim Paço D'arcos.

Lisboa, 14 de Junho de 1908 - Lisboa, 10 de Junho de 1979Pode ser revisitado até 17 de Janeiro deste ano na sala de exposições da Universidade Lusíada.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O Cântico da Vida na Poesia Tagoreana

via Folhas de História by gloriainacselsis on 7/20/08
O autor desta obra, Froilano de Melo, foi Coronel-Médico, Director da Escola Médica de Nova Goa, Director dos Serviços de Saúde da Índia Portuguesa e Deputado de Nação. Era um grande admirador do Prémio Nobel (Literatura) da Índia, Rabindranath Tagore. Froilano de Melo entrou no Parlamento português como independente (1946-1949), e foi por esta razão [...]

terça-feira, 10 de junho de 2008

“Hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o Dia de...

Erudita explicação da origem do "dia da Raça". Contudo, permanece em mim a dúvida de não saber quando é que o Estado Novo mudou o nome para dia de Camões, dia de Portugal.
O Presidente da República saiu-se muito mal ao apelidar o dia de Portugal pelo muito antigo nome de "dia da raça". Dia da raça a uma nação mestiça que se fez império e ultramarina por via da construção de uma história multisecular mestiça, negra, asiática e índia!...
Nós somos uma construção mestiça onde nos últimos 150 anos e, sobretudo, nas últimas décadas do Estado Novo surgiu uma plêide de heróis africanos - os últimos defensores negros do Portugal pluriétnico e pluricontinental - os últimos soldados negros de Portugal.
Rui Moio

Os últimos soldados negros de Portugal

Apinhados

Em Berliets do Tramagal
Seguiam como contratados
Os últimos soldados negros de Portugal

Nas terras, em segurança
Á sombra da bandeira de todos
Ficavam as mulheres e as crianças

De camuflado
Granadas à cintura
G3 na mão
Seguiam humildes e contentes
Os últimos soldados negros da Nação

e regressavam, em glória
Humildes como sempre
mas cheios de vitória

e todos não sabiam
e nós todos não sabíamos
Que no puto
Se preparava a traição

Foram enganados
Os últimos soldados negros da Nação

Muitos juncaram os chãos das batalhas
Outros, varridos pelo vendaval da revolução
Foram esquecidos e abandonados
Nos campos de reeducação

Das bases do Rundum
Quase sós mas sempre altaneiros
Continuaram o combate
Com outras armas na mão
A servirem e a morrerem
Pela mesma e ingrata nação.

Rui Moio - 12Set06
"Hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas"
via Sobre o tempo que passa de JAM em 10/06/08

O vianense "lapsus calami" de ontem, deixado cair por Aníbal Cavaco Silva, implica que se fixem alguns conceitos fundamentais sobre a matéria e que nunca fizeram parte do "currículo" das escolas de economia. Não direi, imediatamente, que Cavaco virou salazarista, porque não foi o Estado Novo que inventou o dia da raça ou o dia de Camões, nem o conceito que, aliás, começou de forma não racista, quando, em 1913, Faustino Rodríguez-San Pedro, então Presidente da Unión Ibero-Americana escolheu o dia de Colombo, de 12 de Outubro, para uma celebração que unisse a Espanha e a Iberoamérica. Um dos principais defensores da matéria, o mexicano José Vasconcelos, defensor do conceito mestiço e sincrético de raça iberoamericana, dizia mesmo: Por mi raza hablará el espíritu. E que o nosso império colonial traduziu em calão, espetando monumentos de pedra em Bissau, Luanda ou Maputo, em nome da miscigenação...

Este Día de la Raza surgiu na Argentina en 1917, numa atitude anti-americana. Seguiu-se a Venezuela, em 1921 por decreto presidencial (Hugo Chávez, em 2002, de forma racista, passou a chamar-lhe Día de la resistencia indígena) e o Chile, em 1923 (desde 2000 é o Día del Descubrimiento de Dos Mundos). Em Espanha, tudo começou em 1918, como um governo liberal e só em 1958 é que Franco passou a chamar oficialmente à coisa Fiesta de la Hispanidad, apesar de já desde 1940 a preferir.

Também o dia de Portugal tem muito mais a ver com Teófilo Braga e o partido republicano, do que com Salazar e o "fascismo", mergulhando no movimento da sociedade civil que, dinamizado por Ramalho Ortigão, originou as comemorações do centenário de Camões de 1880, reavivadas pelo "Ultimatum" e desenvolvidas pelo nacionalismo místico da I República. Por isso, para sublinhar o paradoxo, aqui deixo foto de Eduardo Gageiro, com um timorense enrolado numa bandeira portuguesa, enterrada no dia da chegada das tropas invasoras indonésias ao suco de Liquiçá e lá escondida até à libertação de Timor.

Com efeito, raça vem do indo-europeu wrad, isto é, raiz, através do italiano razza. No plano biológico. uma raça é um conjunto homogéneo de seres humanos caracterizados por uma série de traços hereditários, com destaque para a cor da pele, mas também atendendo a outros elementos como os cabelos, a forma da cabeça, os traços faciais, etc.

Para alguns, é um conjunto de indivíduos dotados de características físicas comuns transmitidas hereditariamente, nada tendo a ver com a língua, a nacionalidade e a cultura. Conforme Henri Vallois (1944), as raças são agrupamentos naturais de homens que apresentam um conjunto de caracteres físicos hereditários comuns, quaisquer que sejam as suas línguas, costumes ou naconalidades.

A classificação dominante, de origem francesa, refere a tripartição entre brancos, amarelos e negros, mas, em 1934, com Von Eicksted, começam a distinguir-se os europeus, os negros, os mongóis, os australóides e os ameríndios. William C. Boyd (1950) distingue o grupo europeu primitivo (p. ex. Bascos), o grupo europeu (caucasóide), o grupo africano (negróide) o grupo ameríndio (mongolóide) e o grupo australóide.

Em 18 de Julho de 1950 a UNESCO emitiu uma declaração sobre a natureza das raças e das diferenças raciais, declarando finalmente a falta de fundamento científico dos cientificismos em que se basearam as ideologias racistas.

Porque tudo começou positivista com a tríade race, milieu, moment, de Taine, fundadora do naturalismo do último quartel do século XIX. Quando se aceita que há um conjunto de caracteres biológicos transmitidos hereditariamente, pelo que as tradições, as crenças, os hábitos mentais e as instituições modelam os indivíduos. Esta, a perspectiva desse novo positivismo que vai marcar todas as correntes sociologistas, tanto de esquerda como de direita.

E foi daqui que derivou o racismo, a concepção segundo a qual existem raças superiores e raças inferiores e que estas devem submeter-se àquelas, pelos que as superiores devem evitar mistura-se com as outras, para que se mantenham puras, implicando também uma melhoria das mesmas.

O racismo teórico contemporâneo começa com Arthur de Gobineau (1816‑1882), antigo chefe de gabinete de Tocqueville, quando este foi ministro dos negócios estrangeiros francês, que em Essai sur l'Inegalité des Races Humaines, publicado entre 1853 e 1855, defende que a raça branca e, dentro desta, a raça ariana devem ser as raças superiores e dominadoras.

Uma opinião partilhada por outros autores da época como Victor Courtet (1813‑1867) em La Science Politique Fondée sur la Science de l'Homme, ou l'Étude des races Humaines sous le Rapport Philosophique, Historique et Social, e Vacher de Lapouge.

Este último, professor em Montpellier, em L'Aryen et son Rôle Social, de 1899, chega mesmo a propôr a criação de uma nova ciência, a antropossociologia, baseada na luta darwiniana pela sobrevivência da espécie. Para ele, as raças dolicocéfalas dos louros devem ser senhoras e dominadoras das raças braquicéfalas, defendendo, para o efeito, a prática da selecção biológica.

Este ambiente vai ser também assumido por Houston Stewart Chamberlain (1855‑1929), um inglês naturalizado alemão, genro de Richard Wagner, que em As Raízes do Século XX, de 1899, vem considerar que os teutões (os celtas, os eslavos e os germanos) é que caldearam as raízes gregas, romana e judaica da civilização ocidental, chegando a defender a intervenção do Estado no processo de desenvolvimento biológico da raça dos senhores.

Este cientismo positivista, misturado com o romantismo político, desagua nas teses assumidas por Adolf Hitler em Mein Kampf constituindo o eixo fundamental do nacional-socialismo que sobe ao poder na Alemanha em 1933. Um caso especial de racismo é o processo do anti-semitismo. Racistas são também as teses do colonialismo e do apartheid. Não menos racistas são alguns dos movimentos políticos anticolonialistas desde a negritude às teses de Frantz Fanon. Por outras palavras, apesar do brilhante "curriculum" académico do meu colega Professor Doutor Francisco Louçã, o Bloco de Esquerda faz demagogia quase doentia, nestas malhas que os economistas tecem, com pouca história e quase nenhum humanismo...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

La Fundación Jorge Luis Borges tendrá su sede europea en Madrid

via Poemas del Alma de Julián Pérez Porto em 28/02/08

A mediados de este año, la Biblioteca Pública del Retiro, en Madrid, pasará a denominarse Jorge Luis Borges. Además, el edificio albergará la sede europea de la Fundación Internacional Jorge Luis Borges, que abrirá a fin de año y será dirigida por la experta Zulema González.

Jorge Luis BorgesLa institución albergará manuscritos del célebre escritor argentino, primeras ediciones de sus obras, premios, diplomas, condecoraciones y una colección de bastones. Incluso se montará una sala que reproduce la habitación que Borges tenía en su casa de la calle Maipú, en Buenos Aires.

La viuda de Borges y presidenta de la Fundación, María Kodama, comentó que la sede madrileña será un “centro de estudios sobre Borges, pero también sobre la gran pléyade de escritores argentinos de su época, como Julio Cortázar”.

Kodama destacó que Borges llegó por primera vez a Madrid cuando tenía 18 años de edad. Desde entonces, se transformó en un “visitante asiduo” de la ciudad.

González, por su parte, resaltó que la viuda eligió a Madrid para instalar la sede europea de la Fundación después de descartar las ofertas de otras ciudades del viejo continente. Además señaló que esta filial organizará exposiciones, conferencias y diversas actividades relacionadas con la promoción de la lectura. Cabe destacar que la Fundación se instalará en la capital española tras un acuerdo alcanzado con la Comunidad de Madrid.

El consejero de Cultura y Turismo de dicha Comunidad, Santiago Fisas, recorrió las instalaciones junto a Kodama y González. El funcionario consideró que el edificio será el lugar indicado para todos aquellos que quieran profundizar sobre la vida y la obra de Borges sin necesidad de viajar a Buenos Aires.

Cabe recordar que ésta no es la única iniciativa relacionada con el autor de “Ficciones” que se realiza Madrid. Hasta el próximo 23 de marzo, la exposición “El atlas de Borges” se encuentra abierta al público en la Biblioteca Joaquín Leguina. Allí los visitantes pueden disfrutar de 130 fotos que Borges y Kodama tomaron en sus viajes a lo largo y ancho del mundo.

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