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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Caçadores Pára-Quedistas Moçambique GEP´s



domingo, 30 de abril de 2017

Videoaula (análise) "Dom casmurro", de Machado de Assis (UFRGS e FGV)


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Carmen Miranda Documentario (filme com 1h12m)



Fonte: Youtube.comYoutube.com

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Extinguiu-se um crioulo indo-português

William Rozario, o último falante do crioulo português de Cochim (Foto: The Hindu)

No passado mês de Agosto, faleceu perto de Kochi (Cochim), no estado de Kerala, sudoeste da Índia, um homem chamado William Rozario. Com ele morreu também uma língua: o crioulo português de Cochim. William Rozario era o último dos falantes deste crioulo, que ao longo de quinhentos anos foi usado por sucessivas gerações e que era fruto do contacto entre o português e a língua local de Cochim, o malayalam, além de outros idiomas. Ler mais

sábado, 18 de setembro de 2010

Viajar de novo pelo Mundo sem sair de Lisboa

Viajar de novo pelo Mundo sem sair de Lisboa

via TODOS, Caminhada de Culturas by FESTIVAL TODOS on 8/24/10

16| 17| 18| 19 de Setembro 2010
Fotografia de Luís Pavão

Nesta segunda edição, apresenta no seu território de eleição, Anjos, Intendente, Mouraria e Martim Moniz um programa novo, mas enraizado nos seus propósitos iniciais: um festival de dimensão internacional desenhado à medida do bairro, que propõe ao longo de quatro dias um contacto forte e íntimo com as culturas que habitam esta zona da cidade. A Música, que leva o Fado ao Canto Tradicional Chinês, no Martim Moniz, o Paraíso do Circo apresentado por uma Família Cigana, no Largo do Intendente, o Teatro Popular como Shakespeare o fazia, no ringue de futebol de salão do Grupo Desportivo da Mouraria.

Uma programação que se quer informal e festiva feita de acontecimentos maiores e multiculturais, que vestem as praças de referência do bairro: a Kocani Orkestar traz dos Balcãs um cruzamento musical e magnético dos mundos árabes e orientais, ou o Circo da Família Romanès, feito de anjos ciganos, trapezistas voadores, que dançam e cantam sob o céu do Intendente.
Outro foco de programação para esta maravilhosa "ilha" obscura que resiste no interior de Lisboa, são os encontros e trocas de experiências vividas antes do festival entre um grupo amplo de moradores de várias idades, credos e países e diferentes artistas.
Preparámos uma programação / encontro que parte da escrita, do cinema, da dança, do canto e da fotografia para oferecer ao público que vem, um passeio que lhe dá a descobrir pessoas e aspectos únicos deste bairro. O ciúme, a inveja e o amor que Shakespeare criou no seu "Otelo", serão falados pelos os vizinhos no coração da Mouraria no espectáculo "...Um beijo, mais um beijo, outro beijo". A Dança de Ainhoa Vidal, um espectáculo entre gerações, que trata da solidão, do compromisso e da raiz de onde a pessoa cresce, fará encontrar bailarinos e pessoas idosas do bairro à volta do passo do tempo. Cozinhas/Cataventos de odores e sabores propõem-nos uma grande viagem do Oriente ao Ocidente pela mão de famílias inteiras que cozinham com e para o público.
Ana Madureira, actriz , ilustradora e fiadeira de contos de vida, doba um livro a partir de um novelo de impressões e conversas fiadas com moradores. Adolescentes vão com os "Filhos de Lumière", ver a cor do seu bairro através da linguagem cinematográfica.
Mães, pais e bebés encontram-se para se ouvirem a embalar os bebés do mundo que o bairro guarda. Este festival, é também um espaço de felicidades experimentadas no interior das escolas, dos lares, das ruas, das associações, que se iniciou no ano passado e que nesta edição cresce e se alarga. Neste Todos reunimos moradores no reconhecimento e na compreensão da sua vida também como matéria artística universal.
Lojas, restaurantes, lugares de culto, associações, são outras razões de passeio. Uma sala de estar, em pleno Martim Moniz, convida o público a repousar os olhos em livros transportadores de mundos. Livros na Casa da Achada para ler em silêncio. As Vozes do Bairro ecoam e incitam todos a ouvir, a cantar este lugar. Este é o momento de reincendiar com o seu bater, o seu
pulsar de hoje, a respiração do agora.

Venha ao Todos e traga todos.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

`Visual Narratives of the Portuguese presence in Hawaii` (1/2) - Gloria de S...

`Visual Narratives of the Portuguese presence in Hawaii` (1/2) - Gloria de Sa and Sonia Pacheco

via Comunidades - RTP by Irene Maria F. Blayer on 8/9/10

Gloria de Sa Ph.D., faculty director of the Ferreira-Mendes Portuguese-American Archives at the University of Massachusetts Dartmouth and Sonia Pacheco, archivist for the same institution, visited Hawaii this past June to contact Portuguese-American institutions in the archipelago with the aim of preserving and making available to the public information that documents the presence of the Portuguese on the islands. While there, they visited Hawaii's Plantation Village in historic Waipahu, an outdoor museum that showcases the lifestyles and experience of the 400,000 people who immigrated to Hawaii to work the sugar plantations. The Plantation features 30 original and replica homes and buildings representing each ethnic group's lifestyle from 1900-1930. At the time of their visit the museum was also presenting a special exhibit on the Portuguese, the first European group to work on the sugar plantations.


1.  Portuguese women on the plantation, Hawaii's Plantation Village, Waipahu


2.  Portuguese culture exhibit, Hawaii's Plantation Village, Waipahu


3.  Azorean 'Registo', Portuguese culture exhibit, Hawaii's Plantation Village, Waipahu


4.  Portuguese culture exhibit, Hawaii's Plantation Village, Waipahu

(cont...)

`Visual Narratives of the Portuguese presence in Hawai` (2/2)

`Visual Narratives of the Portuguese presence in Hawai` (2/2)- Gloria de Sa and Sonia Pacheco

via Comunidades - RTP by Irene Maria F. Blayer on 8/9/10

(...cont.)


6. Portuguese outdoor oven at the Hawaii's Plantation Village, Waipahu


7. Sewing machine, Portuguese House  (Hawaii's Plantation Village, Waipahu)


8. Bedroom, Portuguese House (Hawaii's Plantation Village, Waipahu)


9. Kitchen in a Portuguese House (Hawaii's Plantation Village, Waipahu)


10. Living room of Portuguese House, (Hawaii's Plantation Village, Waipahu)

Jovens cantam músicas tradicionais

Jovens cantam músicas tradicionais

via Portugueses de Malaca by Portugueses de Malaca on 7/12/10

A música "O malhão", é uma, entre outras músicas tradicionais portuguesas interpretadas no Bairro Português de Malaca, em ambiente de convívio.
A composição das letras e a melodia são tocadas de forma diferente, à moda deles, com criatividade e inovação.

Clique no play:


©Projecto Povos Cruzados - Futuros Possíveis © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS © ALL RIGHTS RESERVED

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Afonso V... longe das invenções de Humberto Nuno Oliveira

Afonso V... longe das invenções de Humberto Nuno Oliveira

via nonas by nonas on 7/26/10
Afonso V... longe das invenções
Alheio às polémicas que nestes anos de desacerto socialista vêm marcando a sua direcção, o Museu Nacional de Arte Antiga apresenta-nos uma notável exposição, patente até 12 de Setembro, embora com alguma reserva minha quanto ao título (muito politicamente correcto, como convém...) "A Invenção da Glória. D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana", como se a glória africana do Rei D. Afonso V, reconhecida por toda a Europa do seu tempo, carecesse de ser "inventada". 

É a primeira vez, que as quatro Tapeçarias encomendadas por D. Afonso V em Tournai (na Flandres), quatro enormes panos de armar com quatro metros de altura por dez de largura, são expostas entre nós. Ocasião, pois, que nenhum Português cioso do seu passado deve perder. Numa época em que tal era inédito, foi este o modo pelo qual, D. Afonso V entendeu legar para a posteridade uma imagem dos seus feitos de 1471 em Arzila e Tânger. Ler mais

terça-feira, 20 de julho de 2010

M227 - RANGER Mexia Alves no jornal Correio da Manhã. de 27 de Junho de 2010

M227 - RANGER Mexia Alves no jornal Correio da Manhã. de 27 de Junho de 2010

via COISASDOMR by Eduardo J. Magalhães Ribeiro on 7/17/10

O RANGER Joaquim Mexia Alves, cumpriu a sua comissão militar nas Guiné nos anos de 1971 a 1973, e no passado dia 27 de Junho de 2010, o jornal Correio da Manhã, na série inserida na revista com o título: "A minha guerra", publicou uma reportagem que, com a devida vénia e agradecimento, reproduzimos a seguir:
"Portugal desprezou soldados africanos"
Quando a guerra acabou, os homens das forças africanas foram fuzilados, presos ou agredidos pelas autoridades locais. 
"Entrei para a recruta no Quartel de Mafra em Janeiro de 1971, finda a qual fui "escolhido voluntariamente" para me apresentar em Lamego onde fiz a especialidade de Operações Especiais, vulgo, Rangers. Ler mais

sábado, 26 de junho de 2010

7 VOZES

via Livro di Téra by BMF on 6/25/10

Léxico coloquial do português luso-afro-brasileiro : aproximações

A língua é um elemento vivo que contém as cores e os sentimentos, individuais e colectivos, de quem fala e dos seus valores, costumes e crenças bem como da sua situação geográfica, social e histórica. Podemos constatar que não há realidades nacionais idênticas, e sim semelhantes; portanto, não devemos e não podemos impor a uma nação que ela se revele a outra - que comunga da mesma língua - de forma superior ou distanciada. O ideal e o que tem de ser feito é congregar essa multiplicidade como fonte de Riqueza e Unidade.
A língua portuguesa, levada pelas gentes das Descobertas e Expansão Marítima para as distantes terras da África, Ásia, Américas e Oceânia, acabou sendo utilizada e, em determinados contextos, adoptada por uma significativa parcela das populações. Claro está que um idioma, quando introduzido numa realidade diversa, passa por muitas transformações inerentes ao próprio intercâmbio entre as várias culturas envolvidas.
Actualmente, tornam-se ainda mais evidentes as mudanças, mercê de um maior diálogo entre os Sete: Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Podemos constatar inúmeros vocábulos que, outrora estranhos, se foram introduzindo nas nossa fala, enriquecendo-a. O livro «7 Vozes» é uma primeira aproximação às diferenças do português coloquial, tal como se usa nos meios urbanos, dos sete países que o utilizam como língua mãe ou veicular - apresenta-se como o princípio possível e efectivo de um intercâmbio vasto, pleno de conteúdo e vigor, dentro de espaços geográficos com realidades diversas. Assim, o objectivo deste trabalho é dar a conhecer as metamorfoses da língua portuguesa, que fluem ao sabor dos ventos e das histórias, e dar a conhecer a riqueza vocabular, expressão das culturas dos Sete, bem como alargar o número de falantes. Para todos nós, é o horizonte de uma ampla geografia: um património a proteger e fortalecer.

Autores: Clenir Louceiro, Emília Ferreira, Elizabeth Ceita Vera Cruz.

Editor: Lidel
Ano de edição: 1997
Patrocínio: Instituto Camões

(fonte: WOOK - Livros )

quinta-feira, 27 de maio de 2010

FALA COM ELA

via RADAR 97.8FM by radar on 5/27/10
itunes pic
O cineasta Rui Simões é o convidado, a propósito do seu novo documentário "A Ilha Da Cova Da Moura". Com Inês Meneses

terça-feira, 25 de maio de 2010

África no Sri Lanka

via A Matéria do Tempo by Fernando Ribeiro on 5/25/10
Rochedo Anamaduwa, Putalão, Sri Lanka (Foto: jaliya)

De todas as minorias étnicas existentes no Sri Lanka, a menos conhecida de todas é a dos descendentes dos africanos, que ao longo dos tempos foram levados à força para o país pelos colonizadores portugueses, holandeses e ingleses. Vivem predominantemente na região de Putalão (Puttalam), no oeste do país. Ler mais


segunda-feira, 24 de maio de 2010

Os burgueses portugueses do Sri Lanka


via A Matéria do Tempo by Fernando Ribeiro on 5/22/10
Forte português em Batecalou (Batticaloa), Sri Lanka (Foto: Amazing Lanka)

Burghers (burgueses) é a designação genérica usada no Sri Lanka para nomear os cidadãos de ascendência mista europeia (portuguesa, holandesa, inglesa, etc.) e oriental (cingalesa, tamil, malaia, etc.) que conservam costumes e tradições de origem europeia à mistura com costumes e tradições de origem local. Ler mais

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Amadu Bailo Djaló, lançamento do livro (2)

sábado, 17 de abril de 2010

Guiné 63/74 - P6167: Lançamento do livro do Amadu Bailo Djaló: Lisboa, Museu...

Nota

Eu estive lá. Sinto-me honrado e feliz no meio dos meios.
Obrigado Amadú Bailo Djaló por ter escrito estas memórias e por ser quem foi e é. São memórias que representam milhares e milhares de outras, de heróis de África, da Ásia, da Oceânia e do Brasil que ao longo de séculos fizeram o grande Portugal Histórico, pluriétnico e pluticontinental que existiu até ao fatídico 25 de Abril de 1974.
Rui Moio


via Luís Graça & Camaradas da Guiné by Luís Graça on 4/16/10

Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > O Amadu, 70 anos, de fato completo, gravata, e as suas condecorações, autografando o seu livro... A seu lado, a filha e o neto... Pareceu-me estar feliz, apesar do peso da idade e da doença crónica... Disse-lhe, na brincadeira: "Agora é que vais ser famoso e rico"...


Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > O Amadu, a filha e o neto, antes do início da sessão... O Amadu foi apresentado como um grande contador de histórias, dotado de uma prodigiosa memória, como um homem bom, recto e profundamente religioso, bem como um grande operacional que serviu, com coragem e dedicação o exército colonial português, a partir de 1962, ano em que fez a sua recruta em Bolama... Promovido a 1º Cabo em 1966, foi sucessivamente graduado em furriel (1970), 2º sargento (1971) e alferes (1973). Na foto, ostenta a sua Medalha de Cruz de Guerra de 3ª Classe, ganha em 1973. O subtítulo deste poste é retirado de uma citação do seu livro: "Os cobardes, esses, vivem mais, mas nunca hão-de ter música para dançar"... Como todos os provérbios populares, e nomeadamente africanos, não tem uma leitura imediata nem linear...



Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > A filha e o neto do Amadú (que tem mais uma filha e um filho, a viverem no estrangeiro).


Lisboa > Museu >Militar > 15 de Abril de 2010 > Apesar de ter perdido ainda recentemente a sua mãe, o Virgínio Briote estava feliz pelo Amadu e pela concretização de um projecto onde ele investiu muito do seu tempo, talento, camaradagem e generosidade.. Estevbe sempre atento ao Amadú, segredando-lhe ao ouvido algumas dicas...A felicidade do nosso querido amigo, camarada e co-editor seria completo se o Amadu tivesse aproveitado a ocasião, como era a sua intenção, para a estender a mão aos inimigos de ontem, num gesto histórico de reconciliação, que teria grande simbolismo. Mas o Amadu não se sentiu muito confortável nem em condições de saúde para dizer as palavras que estavam nop seu coração e na sua cabeça (e que estão no seu livro).

Por detrás dele, sentada, a Maria Irene, sua esposa, professora do ensino secundário que sempre o acompanha nestes actos públicos. Na foto, à direita, o nosso camarada Carlos Santos, que veio de Coimbra (Recorde-se que foi Fur Mil da CCAÇ 2700, Saltinho, 1970/72). A malta do nosso blogue esteve presente em força, querendo com isso testemunhar o seu apreço e carinho ao Amadu. Em próximos postes, apresentaremos mais fotos e vídeos.


Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > Sessão de lançamento do livro "Guineense, Comando, Português" (edição da Associação dos Comandos, 2010). Aspecto geral da assistência, completo a ala central das famosas caves manuelinas... Na primeira fila, do lado direito, reconheço a Dra. Maria Irene, esposa do Virgínio Briote bem como o comandante Alpoím Galvão, além do representante do Chefe do Estado Maior do Exército.


Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > A apresentação do livro este a cargo de três oradores: O Cor Comando Ref Raul Folques (de que lamentavelmente não temos foto, apenas um vídeo que será aqui reproduzido noutro poste; foi o último comandante do Batalhão de Comandos Africanos), o Cor Inf Ref e escritor Manuel Bernardo (na foto) e ainda o jornalista e analista político Nuno Rogeiro.


Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > Outro orador, o Nuno Rogeiro, apresentado como um amigo da Associação de Comandos... Disse que leu o livro de um trago. Fez uma análise original, que temos registado em vídeo.



Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > O Autor, Amadu Bailo Djaló, membro da nossa Tabanca Grande, e o presidente da Associação de Comandos, Dr. José Lobo do Amaral... Nas suas palavras de abertura fez questão de, em nome da associação,. agradecer "ao sócio comando Virgínio António Moreira da Silva Briote a disponibilidade, competência e dedicação com que acompanhou esta Memória, sem a qual não teria sido poossível esta edição"... No final, também me agradeceu a divulgação dada pelo nosso blogue e manifestou o seu regozijo pela entusiasmo com que foi recebida o 1º volume das memórias do Amadu bem pelo pluralismo das abordagens dos oradores.

Fotos e legendas: © Luis Graça (2010). Direitos reservados

Guiné 63/74 - P6170: Lançamento do livro do Amadu Bailo Djaló: Lisboa, Museu...

via Luís Graça & Camaradas da Guiné by Luís Graça on 4/16/10

Lisboa, Museu Militar, 15 de Abril de 2010. Lançamento do livro do Amadú Bailo Djaló, "Comando, Guineense, Português" (edição da Associação dos Comandos, 2010) (*). Breves palavras, finais, de agradecimento proferidas pelo autor, após intervenção do presidente da Associação de Comandos, Dr. José Lobo do Amaral, e dos restantes oradores, Cor Comando Ref Raúl Folques (comandante do Batalhão de Comandos da Guiné, de 28 de Julho de 1973 a 30 de Abril de 1974), Cor Inf Ref Manuel Bernardo e Dr. Nuno Rogeiro, jornalista e analista político.

Vídeo (1' 07''): © Luís Graça (2010). Alojado em You Tube > Nhabijoes


Lisboa, Museu Militar, 15 de Abril de 2010. Lançamento do livro do Amadú Bailo Djaló, "Comando, Guineense, Português" (edição da Associação dos Comandos, 2010). Breve intervenção, final, do Dr. Augusto Mendes Pereira, que foi furriel miliciano vague-mestre da 1ª Companhia de Camandos Africanos, sediada em Fá Mandinga, onde conheceu Amadu Djaló.

Vídeo (2' 11''): © Luís Graça (2010). Alojado no You Tube > Nhabijoes


Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > Membros da nossa Tabanca Grande, o Alberto Branquinho e o António Costa.


Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > Membros da nossa Tabanca Grande,o José Martins (Odivelas) e o Jero (Alcobaça e Oeiras)... Mesmo em dia de chuva, a meio da semana, ao fim de tarde, os nossos camaradas fizeram, questão de comparecer para apoiar o Amadu e o Virgínio.


Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > Membros da nossa Tabanca Grande, e neste caso também da Tabanca da Linha, o José Manuel Dinis e o António F. Marques.


Fotos, vídeos e e legendas: © Luis Graça (2010). Direitos reservados
___________

Nota de L.G.:

(*) Vd. posterior anterior da série > 16 de Abril de 2010 > Guiné 63/74 - P6168: Lançamento do livro do Amadu Bailo Djaló: Lisboa, Museu Militar, 15 de Abril (1): "Os cobardes, esses, vivem mais, mas nunca hão-de ter música para dançar" (provérbio tradicional guineense)

Guiné 63/74 - P6180: Lançamento do livro do Amadu Bailo Djaló: Lisboa, Museu...

via Luís Graça & Camaradas da Guiné by Luís Graça on 4/18/10

Lisboa, Museu Militar, 15 de Abril de 2010. Lançamento do livro do Amadú Bailo Djaló, "Comando, Guineense, Português" (edição da Associação dos Comandos, 2010). Intervenção do Cor Comando Ref Raúl Folques.

Vídeo (8' 43''): © Luís Graça (2010). Alojado em You Tube > Nhabijoes (conta do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)


Raúl Folques, com o posto de major foi o último comandante do Batalhão de Comandos Africanos, antes do 25 de Abril de 1974, mais exactamente entre 28 de Julho de 1973 e 30 de Abril de 1974, tendo sido antecedido pelo major Almeida Bruno (2 de Novembro de 1972 a 27 de Julho de 1973), e imediatamente seguido pelo Cap Matos Gomes (1 de Maio a 12 de Junho de 1974). Os dois aparecem aqui na foto, à esquerda, o Matos Gomes, e à direita o Folques.

Foto editada, extraída de Amadu Bailo Djaló - Guineense, comando, português. Lisboa: Associação de Comandos, 2010, p., 240 (com a devida vénia...)

Estes três oficiais, juntamente com o Cap Pára-quedista António Ramos, foram os únicos europeus a participar, com os militares do Batalhão de Comandos Africanos, e o Grupo do Marcelino da Mata, na célebre Op Ametista Real, de assalto à base do PAIGC em Cumbamori, no Senegal, em 19 de Maio de 1973, e cujo sucesso permitiu aliviar a pressão sobre Guidaje. Nessa dramática operação, o major Folques foi ferido. Os números oficiosos apontam para 9 mortes, 11 feridos graves e 23 ligeiros.

Amadu tem onze páginas (da 248 à 258), de grande intensidade dramática, sobre esta operação, e nomeadamente sobre a retirada dos comandos africanos até Guidaje e depois até Bigene. Cite-se o trecho que começa com a conversa que o Sargento Comando graduado Amadú tem com o tenente comando graduado Jamanca , que está ferido [ era o comandante da 1ª CCmds, e será depois fuzilado pelo PAIGC em 1975]:

(...)


- Amadú, anda cá! Mata-me, não deixes o PAIGC levar-me. Mata-me, Amadú, mata-me!

- Tu não ficas, levamos-te de qualquer forma! Não ficas aqui! Descansa um pouco, Jamanca!



Durante esta conversa vi o Alferes Melna, de pé, com dois soldados, um deitado, de frente para eles.

- Melna, de quem é esse corpo ?

- É o Alferes, o Mamassamba Baldé!



Fui para a beira deles. O Melna apontou para uma árvore e perguntou-me se eu sabia de quem era o corpo que estava lá. Não, não sabia, respondi.

- É o corpo do José Vieira, [sold, 1ª CCmds].



Ouvi o Jamanca chamar-me:

-Vai chamar o Demba.



Dirigi-me para um grupo de soldados e perguntei pelo Demba.

- Já retiraram todos, só estamos nós aqui, respondeu alguém.



Quando transmiti ao Jamanca o que tinha ouvido, ele não queria acreditar. Depois, levantou-se e foi ver com os seus próprios olhos. Não viu nenhum dos seus oficiciais e abanou a cabeça.



No local estávamos 31 militares, três capitães europeus e vinte e oito comandos africanos. Os capitães eram o Folques, o Matos Gomes e o Ramos que era pára-quedista.



O grupo ainda ficou mais reduzido, pouco depois. Quando tentava recuperar o corpo do Alferes Mamassamba, o Melna foi atingido gravemente nas pernas com estilhaços de uma roquetada e os ossos ficaram a ver-se.



(..) De todo o pessoal que partiu, quatrocentos e noventa e tal militares com dois guias de Bigene, estávamos ali vinte e nove, porque um dos soldados do Melna também tinha sido atingido gravemente. Conseguimos abandonar o local, comigo em último lugar, a olhar para trás, de vez em quando, com a imagem, do Melna, que ainda hoje está na minha cabeça. Ele olhava para nós e voltava a cara para o lado de onde faziam fogo contra nós. E ainda consegui ouvir um grito, pareceu-me de contentamento (...). (pp. 252/253).

Publicam-se mais fotos de camaradas nossos, que se associaram à festa do Amadu Djaló (*).

Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > O Virgínio Breiote "adiantando serviço" ao Amadú que teve mãos a medir em matéria de pedidos de autógrafos... A seu lado, inclinado, apenas com a careca visível, o nosso amigo Rui Alexandrinho Ferrera, tratado afdectuosamente como Ruizinho. Recorde-se que foi que o Rui A. Ferreira, nascido em Angola, cumpriu duas comissões de serviço na Guiné, primeiro como Alf Mil na CCAÇ 1420, Fulacunda, 1965/67, e depois como Cap Mil na CCAÇ 18, Aldeia Formosa, 1970/72.


Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > Um guineense, Bamba, antigo dirigente do partido Resistência da Guiné-Bissau / Movimento Bafatá, e antigo ministro da Saúde Pública (Partido criado em 1986 como Movimento Bafatá, na sequência da execução de antigos dirigentes do PAIGC como Carlos Correia e Viriato Pã; nas primeiras eleições multipartidárias, realizadas em 1994, o RGB-MB conquistou 19 dos 100 lugares da Assembleia Nacional. Em 1999, tornou-se o 2º maior partido da Guiné-Bissau com 29 lugares dos 102 lugares da Assembleia Nacional). Julgo que viva actualmente em Lisboa. Dei-me o seu contacto de telemóvel.

Na foto, Bamba cumprimenta a Giselda, ladeada pela Alice e pelo Miguel. O Bamba é amigo pessoal do Agostinho Gaspar, recém entrado para o nosso blogue, membro da Tabanca do Centro.

Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > Sessão de autógrafos > Na foto, à esquerda e de perfil o nosso camarada António Santos.

Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > O Alberyo Branquinho e o Coutinho e Lima, possivelmente à procura de referências a Guileje no livro do Amadú.


Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > O Rui Silva, Ten Cor Inf Ref, ex-Cap Mil da CCAÇ 18 (1970/72), membro do nosso blogue, veio expressamente de Viseu, para assistir ao lançameno do livro do Amadú. Em contrapartida, teve a agradável surpresa de encontrar ali, por acaso, o Manuel Gonçalves, ex-Alf Mil Mec Auto da CCS do batalhão que estava então sediado em Aldeia Formosa. O Manuel Gonçalves, companheiro actual da minha amiga Tuxa, está em vias de se tornar membro da nossa Tabanca Grande. Um dos soldados do seu pelotão do Manuel Gonlçalves era o Silvério Lobo, membro da nossa Tabanca Grande e da Tabanca de Matosinhos. Os dois já se voltaram a encontrar.

Fotos: © Luís Graça (2010). Direitos reservados
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Nota de L.G.:

Guiné 63/74 - P6191: Lançamento do livro do Amadu Bailo Djaló: Lisboa, Museu...

via Luís Graça & Camaradas da Guiné by Eduardo J. Magalhães Ribeiro on 4/19/10

1.O nosso Camarada Manuel Bernardo, Cor Inf Ref, amável e prestimosamente enviou-nos, para divulgação, o texto da sua alocução no lançamento do livro do Amadú Djaló, Guineense, Comando, Português, informando-nos ao mesmo tempo, que quem quiser pode consultar as fotos do evento no site Guerra do Ultramar:


Livro "Guineense, Comando, Português; Comandos Africanos 1964-1974", 1.º volume


1. Cumprimentos

- Dr. Lobo do Amaral
- Cor. "Cmd" Raul Folques
- Dr. Nuno Rogeiro
- O autor Amadú Djaló
- Cmd Virgínio Briote

- Todos os presentes…

Não tenho os dotes oratórios dos camaradas e amigos que me antecederam e muito menos dos do professor e ilustre comentador da SIC, que é o Dr. Nuno Rogeiro, pelo que vou limitar-me a ler um texto que elaborei para esta ocasião.

Agradeço o amável e honroso convite que me foi formulado pelo Presidente da Associação de Comandos, Dr. Lobo do Amaral, com quem já colaborara na edição de um outro livro sobre o 25 de Novembro e também incluído nesta colecção Mama Sume, da Associação de Comandos.

Para quem não me conhece e não compreende a minha presença neste acto solene de apresentação do livro do Alferes graduado Amadú Djaló, adiantarei que me envolvi com a Guiné e com os guineenses, quando fui solicitado por um grande amigo e camarada do meu Curso de Infantaria, o Coronel José Pais, pouco tempo antes de falecer, para que eu denunciasse os crimes contra a humanidade praticados na Guiné, no pós-independência, contra os seus militares, e outros, que incluía os designados "comandos africanos".
Apesar de nunca me ter deslocado a este território, fiz questão de cumprir a promessa feita.

Assim, nesse sentido, em 2007 publiquei o livro Guerra Paz e Fuzilamento dos Guerreiros; Guiné 1970-1980, onde, além dos 53 "comandos africanos", na grande maioria oficiais e sargentos, identifiquei 182 elementos, que igualmente foram fuzilados clandestinamente pelas autoridades guineenses, depois de serem detidos, sem ser oficialmente formulada qualquer acusação.
Nesta cerca de duas centenas de vítimas estão incluídos 34 militares do Exército, 14 fuzileiros especiais e 14 milícias, além de vários régulos e cipaios.

Quero lembrar aos presentes que os nomes daqueles 53 "comandos" africanos mandados fuzilar clandestinamente pelo PAIGC, se encontram desde Novembro do ano passado inscritos nas paredes do Memorial dos Combatentes do Ultramar, no Forte do Bom Sucesso, em Belém, depois de uma porfiada campanha nesse sentido feita pela Associação de Comandos.
Pena foi que nesse acto não tivessem tomado a posição de esclarecer as pessoas, e nomeadamente os combatentes, dessa vergonhosa afronta e dos crimes praticados e consubstanciados nesse tipo de actuação.

Questões prévias

Antes de me debruçar sobre este livro do Amadú Djaló, permitam-me que, aproveitando estar junto de tantos militares e amigos, tente esclarecer dois assuntos, que foram referidos em livros publicados recentemente.

O primeiro tem a ver com a crítica feita pelo meu amigo Cor Brandão Ferreira, no seu último livro (Em Nome da Pátria) em relação à maneira como deviam ter sido solucionadas as guerras subversivas que enfrentávamos em Angola, Guiné e Moçambique. Ele não concorda com o princípio, que eu defendo, de que "a solução para este tipo de guerra deve ser política, através de negociações para a paz, e de preferência em posição de força."
Julgo que, genericamente, o princípio deverá ser este. Recordo ter sido o utilizado pelo General De Gaulle, na Argélia… E lembrava igualmente ter ocorrido, em 1972, a última oportunidade perdida pelo anterior regime de iniciar um processo negocial na Guiné, como foi proposto a Lisboa pelo então General António de Spínola, na sequência de um encontro com o Presidente do Senegal, Leopold Senghor.

O segundo diz respeito a uma referência errada à minha actuação antes e pós 25 de Abril, em relação ao falecido Marechal Spínola, feita pelo Professor Luís Nuno Rodrigues, na biografia deste oficial, publicada recentemente e lançado na semana passada, em Lisboa.

Afirma o referido autor, com base na transcrição de um livro meu (Memórias da Revolução; Portugal 1974-1975) em relação a um passo significativo para a reintegração de Spínola na sociedade portuguesa, o seguinte:

"(…) Os "fiéis" de sempre voltam a cerrar fileiras em torno do Velho. Em 1977, um grupo de oficiais, entre os quais Manuel Monge. Manuel Amaro Bernardo e Caçorino Dias, solicitaram ao CEME, General Rocha Vieira, que resolvesse a sua situação remuneratória (…). Meses depois, a 27-2-1978, Spínola foi finalmente reintegrado nas FA (…)."

Daquilo que conheço apenas o Manuel Monge poderá ser considerado um "fiel de sempre", pois o Caçorino Dias apenas o terá conhecido em 1973, numa visita à Guiné, a propósito da contestação desencadeada ao Congresso de Combatentes e eu nunca o tinha visto, contactado ou trabalhado com ele até essa altura (1977). Apenas tive ocasião de lhe falar pela primeira vez, quando pedi uma entrevista, em 1993, para um trabalho universitário, depois publicado no livro Marcello e Spínola; a Ruptura (…)".

E dos cinco oficiais, onde eu me incluo e que tomaram essa atitude de solidariedade castrense, os dois não transcritos do meu texto – os então Major José Pais e Capitão Ribeiro da Fonseca –, poder-se-iam considerar muito mais ligados ao Marechal desde os tempos da Guiné, onde prestaram serviço e comandaram companhias em operações.

Lembro ainda que imediatamente antes dessa afirmação, no livro Memórias da Revolução (…), eu frisava que apenas tinha conhecido António de Spínola depois de ele regressar do exílio, pós-11 de Março de 1975.

Mas eu já estou habituado que façam más transcrições dos meus livros, como aconteceu, com o Dr. Almeida Santos, para o seu Quase Memórias. Mas terão sempre que me ouvir em relação aos erros cometidos…, pois estou no meu direito de tentar restabelecer a verdade dos factos.

Um grande "comando" guineense"

Entrando na análise desta obra, começaria por dizer que o seu autor foi um militar perseverante e distinto, que percorreu as funções das três classes atribuídas aos combatentes: praça (soldado e cabo), sargento e oficial, ao longo dos 11 anos que durou a guerra na Guiné.
Amadú Djaló, com o Curso de Comandos, que frequentou em 1964, seria transformado de um jovem comerciante independente, na vida civil, num grande combatente.
Para tudo na vida é preciso ter sorte e ele teve-a com os militares que foram seus instrutores e, depois, com o Alferes Maurício Saraiva, comandante do seu grupo (Os Fantasmas) e que foi considerado como um dos melhores combatentes da Guerra do Ultramar.

A este propósito lembro que os instrutores e monitores deste Curso de Comandos foram militares muito valentes, quer na Guiné, quer nos outros teatros de operações.
Quatro deles viriam a ser galardoados com a mais alta condecoração, a Ordem Militar da Torre Espada, do Valor Lealdade e Mérito, em 1969/70: Tenente Jaime Abreu Cardoso, 2.º Sargento Ferreira Gaspar, 2.º Sargento Marcelino da Mata e Capitão Maurício Saraiva. Dos restantes, sete seriam condecorados com a Cruz de Guerra (alguns com mais que uma).

Aliás, durante a guerra da Guiné, e por feitos praticados em operações foram condecorados com a Torre Espada mais quatro oficiais dos comandos: Major Almeida Bruno, Capitão Ribeiro da Fonseca, e os guineenses Cherne Sissé e João Bacar Jaló. Pena foi que o último comandante do Batalhão de Comandos Africanos da Guiné, o Coronel Raul Folques (aqui presente e também na capa deste livro), que já se distinguira em Angola e condecorado com uma terceira Cruz de Guerra em 1973, não tivesse merecido da hierarquia militar a ambicionada Torre Espada.


Lisboa > Museu Militar > 15 de Abril de 2010 > Os nossos camaradas, membros do nosso blogue, João Parreira (de costas) e Mário Dias, ex-comandos do CTIG (1964/64), em conversa com o comandante Apoim Calvão (em segundo plano, entre os dois).

Foto: © Luís Graça (2010). Direitos reservados


Quanto ao conteúdo da obra poder-se-á dizer que se trata de uma história triste, contada na primeira pessoa ao logo destas 300 páginas, como tristes e dramáticas serão todas as histórias de guerra.
Nela se descrevem as acções onde as nossas tropas sofrem feridos e mortes de camaradas, que com eles conviviam no dia-a-dia. Essas são marcas que ficarão para sempre na nossa memória. O autor fez bem em salientar, em anexo, os nomes de todos eles.
Na fase inicial de combate, no Grupo Fantasmas do então Alferes Maurício Saraiva já se nota, muitas vezes, uma mistura dos guerrilheiros com as populações, por conivência ou ameaças sobre elas, o que dificulta a actuação, sem os designados danos colaterais.
No entanto, o bom senso e a experiência do Amadú foram factores importantes para o bom andamento das operações. A sua actividade nos "comandos" manteve-se após a saída deste oficial, com a sua integração no Grupo Centuriões do Alferes Luís Rainha.

Após a intensa actividade operacional entre 1964 e 1966, nesses grupos de "comandos", Amadú sentiu a necessidade de descansar para "recarregar as baterias", voltando à sua condição de condutor. Assim, durante três anos passou pela CCS/QG e por vários batalhões: o BCav 757, o BCaç 1877, o BCav 1905 e BCaç 2856, que estiveram sedeados em Bafatá.

Com a ordem de regressar aos "comandos" em 1969, com vista à formação da 1.ª CCmds Af., Amadú, tal como os seus antigos camaradas Braima Bá e Tomás Camará, regressou às lides operacionais, agora (1970) sob a liderança do Tenente João Bacar Jaló, um figura mítica e muito considerada pelas gentes da Guiné.

Mas, antes, ainda teve que frequentar um curso acelerado com o então Capitão "Comando" Barbosa Henriques, um militar que, depois do 25 de Abril, prestaria serviço comigo no Tribunal Militar.

Recordo a manifestação sentida dos "comandos" guineenses residentes na área da grande Lisboa, com os seus trajes típicos maometanos, no dia do seu funeral, há alguns anos, no cemitério do Alto de S. João. Despediram-se do seu amigo com o habitual grito "Mama Sume"

Grandes operações nos países vizinhos

Além das mais variadas operações feitas em todo o território e nomeadamente nas matas de Morés ou da Cobaiana, saliento as duas efectuadas em território estrangeiro.
A Mar Verde, na Guiné-Conacri, em Novembro de 1970, em que previamente surgiram dúvidas nos elementos da 1.ª CCmds Af. sobre a sua participação naquelas condições e onde actuaram juntamente com elementos dissidentes daquele país.
Os principais objectivos acabariam por não ser conseguidos, devido a falhas dos serviços de informações em relação à localização dos aviões e do presidente Sékou Turé, mas ocorreu o notável feito da libertação de 26 portugueses, que o PAIGC mantinha em prisões na capital do país.
Nesta operação a companhia de Comandos teve uma baixa de peso, pois o Tenente Januário Lopes desertou e entregou-se com o seu grupo de 24 homens. Esta não é porém a versão de Marcelino da Mata, com acção de comando importante à frente do seu grupo, após a morte do alferes na fase inicial, e que diz terem-nos deixado para trás por falta de coragem em os ir lá buscar na retirada.
O facto é que nas declarações à comissão da ONU, dias depois, Januário afirmou ter de facto desertado e acabaria por ser fuzilado com os seus homens no mês seguinte.

Amadú aquando dos preparativos para esta operação afirma no livro:
"(…) A nós, o PAIGC não nos poupava. Que me lembre não me recordo ver alguns dos nossos matar os feridos. Nem deixávamos nenhum ferido do PAIGC na terra de ninguém. Se estivesse ferido, pedíamos a evacuação para o Hospital Militar. Certamente que alguns de nós, brancos ou negros não se comportavam assim tão dignamente, mas não eram a maioria. E se fossemos apanhados pela tropa do Sékou Turé, de certeza que não haveria nenhum sobrevivente. (…)

A segunda, a operação Ametista Real, foi realizada em Maio de 1973, à base de Cumbamori, no Senegal, em que seria empenhado todo o Batalhão de Comandos Africano, sob o comando do então Major Almeida Bruno.
O objectivo, desta vez, foi conseguido, pois levou à destruição dos depósitos de armas e munições e numerosas baixas no PAIGC, tal como seria parado, pouco tempo depois, o cerco a Guidaje, que já durava havia três semanas.

O Batalhão de Comandos também sofreu bastantes baixas e a retirada do Senegal para o território da Guiné foi deveras penosa e feita com grandes dificuldades. Seria mais uma vez a grande experiência do Amadú e o apoio eficiente dado pelos aviões da Força Aérea a resolver a situação no final da operação. O autor descreve o sucedido, nas pag. 253 e 254:
"(…) Continuámos a retirar em direcção à fronteira. Não podíamos forçar muito, porque o Jamanca (tenente e comandante da companhia) só podia andar com o apoio de alguém e o Capitão Folques, com a perna ferida também tinha muita dificuldade em andar e estávamos ainda longe de Guidage.
"Pedimos apoio á aviação, mas recusaram. Que estavam a a voar muito alto e era difícil localizarem-nos. (…) Perguntei ao soldado que transportava o morteiro se tinha alguma granada de fumo. (…) O Capitão Folques transmitiu para os aviões (…). Disparei com o morteiro para sinalizar o local a partir do qual os aviões podiam bombardear.
"Uma grande bola branca de fumo já tinham visto dos aviões, ouvimo-los dizer. A partir deste momento, o Capitão Folques disse sueste do fumo, a sul, a sudoeste e a oeste, arrasar tudo, tudo! (…) Essa granada de fumo ajudou-nos muito. (…)
"Chegámos junto do arame farpado de Guidage entre as 18 e as 19H00, mortos de sede e fome. Em Guidage não havia nada para comer. Nem medicamentos. (…)

Como se vê, foram tempos dramáticos e de grande sofrimento os passados nessa altura… E pelas transcrições feitas julgo que ficarão de algum modo elucidados sobre o conteúdo desta obra.

Antes de terminar apenas quero fazer duas pequenas observações.
A primeira em relação ao editor, por na contra-capa não ter colocado outra fotografia do autor, em que no fundo estivessem nomes de guineenses (talvez os fuzilados e colocados recentemente no Memorial do Bom Sucesso) e não os que se encontram nessa foto.

A segunda por o autor não fazer qualquer referência à actuação do Marcelino da Mata naquelas grandes operações, atrás referidas, onde ele teve desempenho brilhante e relevante.
Lembro ainda o facto de ele ter sido o militar mais condecorado do Exército Português em toda a Guerra do Ultramar. Mas o Amadú Djaló, na pág. 243 do livro, esclarece a sua atitude em relação a este oficial:

"O ambiente entre nós nem sempre foi o melhor. Havia rivalidades étnicas que se cruzavam com os problemas que ocorriam em qualquer unidade militar. "

A terminar, quero elogiar o autor por esta significativa e importante obra hoje foi aqui lançada e que acabou por ser publicada mercê da sua persistência de vários anos.
De assinalar igualmente o trabalho meritório do "Comando" Virgínio Briote, que contribuiu bastante para a execução deste projecto, tal como na sua eficiente divulgação.
Elogio igualmente o editor, Dr. Lobo do Amaral, Presidente da Associação de Comandos, por numa altura de crise geral e editorial, nomeadamente em relação aos livros de ensaio ou memórias, se ter abalançado na sua publicação.

Muitas felicidades para os três, para o Coronel Raul Folques e para o Dr. Nuno Rogeiro, assim como para todos os presentes.

Muito Obrigado!

Manuel Bernardo
Lisboa, 15-04-2010
_________

Nota de MR:

sexta-feira, 26 de março de 2010

As 10 Crónicas de Kandimba

via ANGOLA DO OUTRO LADO DO TEMPO... by MARIANJARDIM on 3/5/10

http://2.bp.blogspot.com/_qmUsVCruM6c/Rcp3hu47p-I/AAAAAAAAAK8/7YnyPyk1ZBk/s320/SebastiaoCoelho.jpg

Nota Pessoal

Não percam esta oportunidade - a de se deliciarem com as crónicas que o Sebastião Coelho "Kandimba" nos deixou. Kandimba quer dizer "Coelho".
Aconselho que iniciem esta leitura com a CRÓNICA VII - Peixe do Capim e a CRÓNICA VIII - Tukeia, o Peixe Voador. Nelas o autor fala-nos de um peixe diferente de todos os outros. Um peixe que salta e voa, que vive na chanas secas dos Lutchazes, dos Bundas, do Alto Zambeze, do Luau e da sede capital do Moxico - o Luena. Um peixinho que se seca ao Sol cujo habitat se localiza na grande mãe de água de África e de todo o mundo, local onde nascem rios que alimentam três ou quatro dos maiores rios de África e do Mundo: o Zambeze. o Zaire, o Kuanza, o Cuando, o Cubango... e também o Limpopo. Limpopo, pois, este rio moçambicano nasce poucos quilómetros depois das águas do Cuando-Cubango se infiltrarem por entre as areias do Botswana.
Rui Moio

Crónicas do Kandimba de Sebastião Coelho

As 10 Crónicas de Kandimba

CRÓNICA I - Angola País Africano
CRÓNICA II - Angola País de Contrastes
CRÓNICA III - Angola e o Peixe Aventureiro
CRÓNICA IV - Angola, Peixe e Pecadores
CRÓNICA V - Mar, Peixe e Gente do Mato
CRÓNICA VI - Peixe Mulher
CRÓNICA VII - Peixe do Capim

CRÓNICA VIII - Tukeia, o Peixe Voador
CRÓNICA IX - A Palanca Preta Gigante
CRÓNICA X - Conversa à Luz das Estrelas

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