domingo, 13 de junho de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Guerra colonial - O mistério da urna selada há 42 anos
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Rui Moio
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5/27/2010 03:16:00 da tarde
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quarta-feira, 26 de maio de 2010
Escritor russo revela plano de decapitação de dirigentes da UNITA e FNLA cas...
Maputo - Contrariamente ao que se julgava, o Almirante Rosa Coutinho, que após o golpe de 25 de Abril de 1974 em Portugal foi nomeado alto-comissário português em Angola, não foi o único a favorecer o MPLA na tomada do poder pela força em Luanda à revelia do Acordo de Alvor que previa a realização de eleições livres. Leonel Cardoso, que viria a substituir Rosa Coutinho no cargo de alto-comissário português, desempenhou na prática um papel igualmente pernicioso para o futuro do novo Estado independente.
De acordo com Vladimir Shubin, autor do livro, «The Hot Cold War – the USSR in Southern Africa», em Outubro de 1975, cerca de um mês antes da proclamação da independência de Angola, Leonel Cardoso convidou Igor Uvarov, oficial russo que trabalhava sob a capa de correspondente da agência TASS em Luanda, para uma conversa, tendo-lhe confidenciado que "Portugal deparava com um problema: a quem deveria transferir o poder em Angola." Cardoso disse ainda a Uvarov que "no dia anterior, as autoridades portuguesas em Angola haviam informado o Bureau Político do MPLA de que não poderiam transferir o poder apenas para este movimento, mas que teria de faze-lo para 'o povo angolano'".
O autor do livroautor do livro, «The Hot Cold War – the USSR in Southern Africa», revela que Leonel Cardoso em Outubro de 1975, cerca de um mês antes da proclamação da independência de Angola, pediu a Uvarov para que "enviasse uma mensagem a Moscovo no sentido da União Soviética influenciar o MPLA de forma a que a transferência de poderes fosse de 'natureza conjunta'", para depois fazer recordar ao correspondente da TASS que "anteriormente as tropas portuguesas haviam ajudado o MPLA a expulsar de Luanda unidades da FNLA e da UNITA". Leonel Cardoso chegou mesmo a dizer que "caso os dirigentes da FNLA e da UNITA viessem a Luanda para a cerimónia de transferência de poderes, estas organizações poderiam ser 'decapitadas'." No livro, Vladimir Shubin cita Sérgio Vieira, antigo chefe da polícia política, SNASP, como tendo revelado que o regime da Frelimo também deu o seu aval à violação do Acordo de Alvor, favorecendo a tomada do poder pela força por parte do MPLA, enviando para Luanda uma peça de artilharia, vulgo órgão de Stalin, que, conjuntamente com outras peças idênticas fornecidas por Moscovo, permitiram às tropas de Agostinho Neto impedir que forças fiéis a outros movimentos entrassem na capital angolana para a proclamação da independência. | ||||||
| Fonte: Canalmoz |
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5/26/2010 10:37:00 da manhã
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domingo, 16 de maio de 2010
APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO QUITEXE V - A DIVISÃO ADMINISTRATIVA
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5/16/2010 06:03:00 da tarde
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
Moxico - Administração dos Luchazes define prioridades para programa de desenvolvimento rural
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5/03/2010 09:52:00 da tarde
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
Os Últimos Dias De Savimbi - José Gama

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Rui Moio
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4/19/2010 09:14:00 da tarde
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Conversas do Namibe, aliás de Moçâmedes, aliás de Mossâmedes.
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Rui Moio
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4/19/2010 04:16:00 da tarde
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domingo, 21 de março de 2010
Declarações do Rosa Coutinho
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Rui Moio
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3/21/2010 11:40:00 da manhã
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«Diário De Savimbi Em Posse Das FAA»

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3/21/2010 03:02:00 da manhã
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
A Ponte Aérea da Vergonha.Esquecer??? NUNCA.
Começou em Julho de 75 e acabou a 3 de Novembro, desse mesmo ano. Quatro meses para evacuar meio milhão de pessoas e dizer adeus a Angola. Centenas de aviões, milhares de voos. Aos números imprecisos soma-se a crónica dos ressentimentos. O que aconteceu e quem teve a culpa?Os nomes baralham-se, calam-se os dramas. O ódio é sempre mais espesso que o sangue, mas há um momento em que nem isso adianta. É quando Portugal e traição já não se distinguem e os arautos do tempo repetem o veredicto. Ventos da História, descolonização possível. Desresponsabilização, descontracção e água benta. Cobardia. Pois claro.
A 17 de Julho, a ponte aérea começa.
"Houve necessidade de um certo voluntarismo, por uma questão de dignidade nacional. Era uma da últimas coisas que Portugal tinha de fazer. Ter a certeza de que quem quisesse vir não ficava. Usávamos o rádio para chegar aos sítios mais isolados, à mata, para tentar saber onde é que havia gente a precisar de transporte. Mandávamos lá a Força Aérea para as trazer aos dois grandes aeroportos. Chegavam de todo o lado, exaustos, traumatizados, sem nada. Chegou a uma altura em que a tropa portuguesa já se tinha vindo quase toda embora e mesmo em Luanda as pessoas só se sentiam seguras no aeroporto. Chegámos a ter lá 5000, numa caserna para 500 homens."
A comida era a da base, quando havia, as instalações inexistentes. As possíveis.
O homem da ponte aérea suspira.
"Para ser diferente era preciso que houvesse aqui uma situação estável. A pergunta principal é porque é que se levou tanto tempo a descolonizar. Toda a gente fala dos militares, mas não fomos nós que começámos a guerra. E aguentámos-la catorze anos. Chegava para encontrar uma solução política, não? Até porque a situação em Angola estava perfeitamente controlada do ponto de vista militar: com a UNITA não tínhamos qualquer confronto e a Leste e a Norte, as forças que se nos opunham estavam, respectivamente, na Zâmbia e no Zaire. Mas assim, desta forma, tudo tinha de correr mal."
O desespero era tal para entrar num avião que as pessoas ofereciam tudo. Aos funcionários de check in, aos pilotos, a quem encontrassem. Termos de café, comida, álcool, casas, carros, barcos, dinheiro, diamantes, favores variados. E quando não era para entrar num avião era para meter lá dentro mais qualquer coisa. Nem toda a gente podia ou tinha tempo de despachar os pertences por mar.Mais ou menos rigoroso no seu trabalho de check in, mais quilo menos quilo e um recorde de 26 horas seguidas ao balcão, João F., nascido em Luanda, funcionário da Tap, viu acontecer muita coisa. O tráfico de influências corria à desfilada, e para quem fosse habilidoso havia sempre um expediente para mandar tudo para Lisboa. Os mais modestos iam todos os dias ao aeroporto despachar pequenos embrulhos, os mais ambiciosos certificavam-se de ter tudo do outro lado do mar antes de dizer adeus a Angola.
"Mais tarde descobri que tinha sido um colega e recuperei as coisas. Houve muita desonestidade. As pessoas traziam o que era delas e o que não era, aproveitavam-se da situação. Gente que nunca tinha estado em Angola chegava ao sítio do aeroporto onde as coisas se iam amontoando e escolhia o que queria. Houve nitidamente um abandono daquela gente."
Regressado a 1 de Novembro, de 1975, com um pedido de transferência, teve de procurar outro emprego: só foi readmitido na TAP dois anos depois e para cúmulo retiraram-lhe o tempo da ponte aérea.
"Os registos perderam-se e ninguém se lembra", conclui com um encolher de ombros.
"Dizem eles."
Em Nova Lisboa a situação era tremenda. Havia uma espécie de grande hangar e as pessoas chegavam das mais variadas formas, carregadas de malas. Como não as podiam levar — havia um limite de 30 kg por passageiro — havia uma montanha incrível de bagagem deixada para trás. Não havia condições nenhumas, a sanita era um antigo avião de campanha completamente recuperado que um oficial qualquer tinha resolvido pôr ali como monumento. Imagine-se, um avião que tinha andado na guerra!
"Quem controlava eram os guerrilheiros da Unita, que tinham um aspecto inacreditável. A tropa já se tinha vindo embora. Assim tínhamos de discutir horas com os UNITAS que queriam entrar nos aviões para ir lá buscar pessoas, e assegurar que eles não inutilizassem o avião. Era essa a minha maior preocupação quando estava no solo."
José Nico, brigadeiro da Força Aérea, na época capitão, não esconde a amargura que lhe ficou.
"O que andei a fazer sobretudo, foi evacuar os militares e suas famílias. Naqueles tempos era tudo ao contrário. Evacuava-se a tropa antes dos civis. A situação era tal que um dia, quando me pediram para ir complementar a acção dos aviões civis — porque o grosso da ponte propriamente dita foi feita por eles — e embarcar aquela gente que estava no aeroporto de Luanda à espera em vez de uma companhia de militares, os soldados se revoltaram. Armaram uma situação tão crítica que obrigou a uma intervenção."Cala-se, pensativo. Viveu a juventude em Luanda, foi estudar para a metrópole. O resto da família regressou antes da independência. À excepção do pai, que só voltou em 79.
"Era empregado numa companhia que não fechou. Teve de se mudar para um quarto ao lado do escritório para não andar na rua, mas mesmo assim iam lá visita-lo muitas vezes para o revistar. O que quer dizer roubar. Ele não se abre muito."
O silêncio quebra-se uma última vez.
"Foi um abandono de todo o povo português. Vivi muitos anos revoltado até me habituar à ideia de que tinham sido os ventos da História."
É a 11 de Novembro de 1975, que tudo é suposto acabar. A ponte aérea acaba só a 3 de Dezembro desse ano. A esposa de Vitor B. regressa no dia anterior, num avião regular da TAP. Agora e durante algum tempo, os funcionários da imigração ainda apõem nos passaportes o carimbo Luanda-Portugal — saída.
Resta na cidade o alto-comissário, almirante Leonel Cardoso, e os seus colaboradores mais próximos, além de uma companhia de pára-quedistas, dois helicópteros e dois navios.No palácio do governo, contra um painel do mapa-mundi com caravelas, o almirante lê a declaração de entrega da soberania do território. Ao povo de Angola.Já que não há mais ninguém na sala além dos portugueses e de um batalhão de jornalistas.
Ninguém para cantar o hino.
....Levantai hoje de novo o esplendor de Portugal,...
Logo de seguida, Leonel Cardoso, séquito e bandeiras partem nos navios, pela calada da noite, escondidos da vergonha, e da cobardia dos políticos e militares, que atraiçoaram séculos de História, entregando de mão beijada, o futuro de milhões de seres humanos, á crueldade do abandono e da incerteza do futuro. Esquecer? NUNCA.
FONTE
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Rui Moio
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2/15/2010 12:09:00 da manhã
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domingo, 14 de fevereiro de 2010
Filme fuga à guerra da descolonização
'Vitória' recorda fuga de África


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2/14/2010 11:37:00 da tarde
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
A INDEPENDÊNCIA DOS INIMIGOS
Publicada em 19 de novembro de 1975.
Clique nas páginas para ler o texto.
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2/10/2010 09:34:00 da manhã
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Moçãmedenses posam para a posteridade em dia de casamento ...
De cima para baixo e da esq. para a dt.:
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1/18/2010 06:57:00 da tarde
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
FOTOS LEGENDADAS (50, INSELBERGS)

Inselbergs significa «montes ilhas», termo introduzido na Geologia pelo alemão
Bergassor Bornhardt para significar montanhas pré-cambrianas, geralmente monolíticas,
de gnaisse e granito, abruptamente emersas da superfície onde afloraram.
Palavras arrevesadas para referir os impressionantes e enormíssimos penedos que
surgem em algumas paisagens africanas. E não apenas aí, conforme os tratados garantem.
Povoações como a do Lépi, no Planalto Central de Angola, nasceram e cresceram junto
de tais colossos; coladas a tão permanentes e fiéis guardiões, pareciam assim
querer proteger-se dos perigos que rondavam por perto...
Francisco Bernardo,
in Fotos Recolhidas e Legendadas de uma Angola de Antigamente (obra inédita)
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1/15/2010 12:50:00 da manhã
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domingo, 20 de dezembro de 2009
OS BÓERES NO PLANALTO DA HUÍLA
Os meus agradecimentos ao meu amigo António Trabulo que me enviou este texto e também algumas das fotografias da sua colecção particular.
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12/20/2009 07:21:00 da tarde
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A despedida do Herói [homenagem ao Eng. Geógrafo Frias de Barros]
Nota: os bolds são meus.Rui Moio
Este ano tem sido cruel para as minhas figuras de referência. A idade também pesa nos ombros dos heróis e não há eternidade merecida que compense a efemeridade do corpo.
No princípio de Dezembro morreu um dos Heróis de Portugal em África. Não esteve lá, ao contrário de muitos outros, a defender cinco séculos de História com armas e farda, mas nem por isso foi menos bravo.
O Engenheiro Frias de Barros foi, para gerações de engenheiros geógrafos, uma figura de referência, o ideal do que era ser, verdadeiramente, um engenheiro geógrafo. Ensinava não só pelos conhecimentos teóricos, mas também pela imensa experiência de campo.
Todos os seus alunos se recordam dos exames orais no final do semestre, em que nunca se chumbava mas, se a matéria não estivesse bem sabida, se marcava um novo exame para a semana seguinte. Só se passava depois de saber. Os bons professores medem-se não pela quantidade de alunos que reprovam, mas pela quantidade de alunos que de facto aprendem.
Começou a sua carreira em Macau. Acabado de sair do curso e sem experiência de campo, foi incumbido da missão de observar e calcular latitudes e longitudes astronómicas para a determinação de pontos de Laplace (uma coisa esotérica que só os engenheiros geógrafos apreciam). Aprendeu por si métodos práticos que refinou e ensinou às gerações seguintes. Nasceu não só para ser engenheiro e resolver problemas, mas também para ensinar.
De 1958 até 1975, enquadrado na Missão Geodésica de Angola, passou seis meses de cada ano em Angola, longe da família e dos confortos da civilização, percorrendo os extremos do território naquela que foi a última grande campanha geodésica do mundo. Durante meio ano observava triângulações e no meio ano restante, em Lisboa, tratava e calculava os dados recolhidos, tendo sido um dos pioneiros na utilização de computadores em Portugal, na década de 1960.
A sua experiência no cálculo destas redes revelava-se quando fazia cálculos aritméticos em base sexagesimal com a mesma facilidade com que os fazemos na base decimal, coisa que nos deixava sempre espantados.
Com a revolução de 1974 foi traído e esquecido pela História. Tornou-se guardião do tesouro que são os dados das redes geodésicas ultramarinas, numa instituição que, por ter um nome associado ao passado colonial português, foi também ela quase esquecida.
Foi herói merecedor das odes dos poetas e de constar nas epopeias que ainda se hão-de escrever. A sua memória perdura nas gerações de engenheiros geógrafos que formou e será, para todos eles, o verdadeiro Professor.
E sei que todos eles se recordarão das alturas em que interrompia a lição e dizia, com o seu sotaque algarvio "Isso tem muita história…", antes de contar mais um episódio de uma vida aventurosa.
Durante dezassete anos usou vários teodolitos. Aproveitei uma visita ao Instituto Geográfico e Cadastral de Angola para fotografar um dos instrumentos que talvez tenha passado pelas mãos deste herói.

O seu instrumento de eleição
Presto-lhe esta singela homenagem, na tal da internet que lhe acabou por substituir os almanaques que tanto amava, porque não vou já a tempo de lhe contar as minhas aventuras pessoalmente.
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12/14/2009 11:18:00 da tarde
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Moxico - Administração investe mais de 31 milhões de kwanzas em projectos sociais
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12/11/2009 05:49:00 da tarde
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Marcadores: Angola
domingo, 6 de dezembro de 2009
-" António Lobo Antunes e a escrita mentirosa "
Talvez este início de crónica escandalize quem costume venerá-lo. Eu, por maior benevolência que para com ele queira usar não posso, nem devo. Por várias razões, algumas das quais vou enunciar. Porque não gosto de atirar a pedra e esconder a mão.
Este senhor foi mobilizado como médico, para a guerra do Ultramar. Nunca terá sabido manobrar uma G-3 ou mesmo uma Mauser. Certamente nem sequer chegou a conhecer a estrutura de um pelotão, de uma companhia, de um batalhão. Não era operacional mas bota-se a falar como quem pragueja. Refiro-me ao seu mais recente livro: Uma longa viagem com António Lobo Antunes.
João Céu e Silva pode reclamar alguns méritos deste tipo de escrita. Foi o entrevistador e a forma como transpõe as conversas confere-lhe alguma energia e vontade de saber até onde o entrevistado é capaz de levar o leitor. Mas as ideias, as frases, os palavrões, os impropérios, as aldrabices - sim as aldrabices - são de Lobo Antunes.
Vejamos o que ele se lembrou de vomitar na página 391:
«Eu tinha talento para matar e para morrer. No meu batalhão éramos seiscentos militares e tivemos cento e cinquenta baixas. Era uma violência indescritível para meninos de vinte e um, vinte e dois ou vinte e três anos que matavam e depois choravam pela gente que morrera. Eu estava numa zona onde havia muitos combates e para poder mudar para uma região mais calma tinha de acumular pontos. Uma arma apreendida ao inimigo valia uns pontos, um prisioneiro ou um inimigo morto outros tantos pontos. E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava, e como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros».
Penso que isto que deixo transcrito da página 391 do seu referido livro, se vivêssemos num país civilizado e culto, com valores básicos a uma sociedade de mente sã e de justiça firme, bastaria para internar este «escriba», porque todo o livro é uma humilhação sistemática e nauseabunda, aos Combatentes Portugueses que prestaram serviço em qualquer palco de operações, além fronteiras. É um severo ataque à Instituição militar e uma infâmia aos comandantes de qualquer ramo das Forças Armadas, de qualquer estrutura hierárquica e de qualquer frente de combate. Isto que Lobo Antunes escreve e lhe permite arrecadar «350 contos por mês da editora» (p. 330), deveria ser motivo de uma averiguação pelo Ministério Público. Porque em democracia, não deve poder dizer-se tudo, só porque há liberdade para isso. Essa liberdade que Lobo Antunes usou para enriquecer à custa o marketing que os mass media repercutem, sem remoques, porque se trata de um médico com irmãos influentes na política, ofendeu um milhão de Combatentes, o Ministério da Defesa, uma juventude desprevenida, porque vai ler estes arrotos literários, na convicção de que foi assim que fez a Guerra, entre 1961 e 1974. E ofende, sobretudo, a alma da Portugalidade porque a «aldeia global» a que pertencemos vai pensar que isto se passou na vida real nos finais do século XX.
Fui combatente, em Angola, uns anos antes de Lobo Antunes. Também, como ele fui alferes miliciano (ranger). Estive numa zona muito mais perigosa do que ele: nos Dembos, com operações no Zemba, na Maria Fernanda, em Nuambuangongo, na Mata Sanga, na Pedra Verde, enfim, no coração da guerra. Nunca um militar, qualquer que fosse a sua graduação ou especialidade, atirou a matar. Essa linguagem dos pontos é pura ficção. E essa de fazer cordões com orelhas de preto, nem ao diabo lembraria. E pior do que tudo é a maldade com que escarrou no seu próprio batalhão que tinha seiscentos militares e registou centena e meia de baixas...Como se isto fosse crível!
Se o seu comandante que na altura deveria ser tenente-coronel, mais o segundo comandante, os capitães, os alferes, os sargentos e os soldados em geral, lerem estas aldrabices e não exigirem uma explicação pública, ficarão na história da guerra do Ultramar como protagonistas de um filme que de realidade não teve ponta por onde se lhe pegue.
Em primeiro lugar esta mentira pública atinge esses heróicos combatentes, tão sérios como todos os outros. Porque não há memória de um único Batalhão ter um décimo das baixas que Lobo Antunes atribui àquele de que ele próprio fez parte. É preciso ter lata para fazer afirmações tão graves sobre profissionais que para serem diferentes deste relatório patológico, basta terem a seu lado a Bandeira Portuguesa e terem jurado servi-la e servir a Pátria com honra, dignidade e humanismo. Não conheço nenhum desses seiscentos militares que acolheram António Lobo Antunes no seu seio e até trataram bem a sua mulher que lhes fez companhia, em pleno mato, segundo escreve nas páginas 249 e 250. Mereciam eles outro respeito e outros elogios. Porque insultos destes ouvimos e lemos muitos, no tempo do PREC. Mas falsidades tão obscenas, nem sequer foram ditas por Otelo Saraiva de Carvalho, quando mandou prender inocentes, com mandados de captura, em branco e até quando ameaçou meter-me e a tantos, no Campo Pequeno para a matança da Páscoa. Estas enormidades não matam o corpo, mas ferem de morte a alma da nossa Epopeia Nacional.
Autoria: Barroso da Fonte
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12/06/2009 06:52:00 da tarde
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
40 anos do 'Ás de Espadas'
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12/03/2009 10:24:00 da tarde
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
(título desconhecido) - Vídeo sobre Moçamedes - Namibe
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10/30/2009 12:31:00 da tarde
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